domingo, 26 de dezembro de 2010

"Todos nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou..."

Eu passei grande parte do meu 2010 desejando que ele terminasse. Todas as promessas que fiz foram em vão, todos os meus sonhos foram pateticamente despedaçados e em Setembro eu já fechava os olhos e rezava para ouvir os sinos natalinos se aproximando. Em 2010 eu aprendi mais do que fui feliz, é um fato. E agora que estamos no final de dezembro, com as roupas brancas recém-lavadas já penduradas no varal e os estoques de champanhe e fogos de artifício sendo preparados, eu gostaria de poder reduzir a velocidade com que os dias passam. Porque eu, enfim, encontrei o que procurei o ano inteiro:

Posso contar meus amigos verdadeiros nos dedos das mãos, mas não existe número que possa expressar por quantos eles valem. Penso em desistir, acredito que não sou capaz, mas é sobre aquele palco, no meio daquele grupo de teatro, que me encontro. Grito com minha mãe, me tranco no quarto e faço greve de fome, mas sei que ela está lá, com o colo disponível a qualquer hora - assim como estão meu padrasto, minha avó, minha tia. Reclamo do meu primo, mas sei que posso contar a ele qualquer coisa e sei também que a voz do meu pai, meio desafinada pela emoção, está a distância de um telefonema. Meu coração, meio remendado, está nas mãos daquela que esteve lá o tempo inteiro e só eu não vi - aquela que realmente o merece, aquela por quem ele realmente bate, aquela que eu espero amar por muito tempo ainda e não decepcionar tão cedo. Pela primeira vez em algum tempo, eu consigo acordar pela manhã e sorrir ao ver um céu azul.

Tudo que eu peço para meu 2011 é que ele seja exatamente como este final de 2010: Feliz.


"Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom
Mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda exista amor pra recomeçar
Pra recomeçar..."

(Amor pra recomeçar - Frejat)

E que todos vocês tenham o 2011 que desejarem (:

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"Oh, Christmas lights keep shining on..."

Querido Noel,

Tudo que te peço é aquela menina. Sim, aquela. Aquela sem nome, telefone ou endereço. Aquela que não conheço - ou que, talvez, conheça, mas que não tenha visto ainda por estar ocupada demais procurando em todos os lugares errados. Aquela menina comum. Aquela menina que não é a mais bonita, mas que eu, por algum motivo, não consigo deixar de olhar. Aquela menina que não entende sempre, não ama sempre, não fala  verdade sempre... Que brinca feito criança e briga feito gente grande. Que vai embora, que foge, que encara e luta. Aquela menina feita de momentos, conquista e derrotas, sonhos e planos, poucas razões e infinitas sem-razões.

Aquela menina que eu vou amar mesmo quando estiver com raiva, mesmo quando me decepcionar, mesmo quando cair. Aquela menina por quem eu saiba, a cada olhar, que vale a pena lutar. Aquela menina por quem eu saiba, sem saber o porquê, que vale a pena ser a primeira a pedir perdão ou segurar pela mão e impedir de ir embora. Aquela menina cujo sorriso faça fogos de artifício explodirem em meu estômago. Aquela menina que me encante mesmo nos defeitos e que com um beijo, cale todas as minhas dúvidas. Aquela menina que me faça esquecer dos olhares tortos e dos comentários preconceituosos, que me faça buscar uma história de amor em vez de um conto de fadas. Aquela menina que já é tão minha, mesmo antes de ser.

Porque ela, Noel, e apenas ela, pode me dar o que eu realmente quero neste Natal: Amor.

Com carinho,
T.



"I don't want a lot for Christmas
There is just one thing I need
I don't care about the presents
Underneath the Christmas tree
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
Baby, all I want for Christmas is you..."


      [All I Want For Christmas Is You - My Chemical Romance]         
      
(sim, eu sei que a música não é deles, mas eu acho a versão deles mais divertida :D)
(Foi mal pelo post pouco criativo e FELIZ NATAL PRA TODO MUNDO, AEAE <3)

domingo, 19 de dezembro de 2010

"you shine brighter than anyone..."

Moça,

Minhas mãos estão quentes, mas eu poderia continuar ali durante horas... Poderia virar a noite aplaudindo. Meu coração bate com força e, a cada pulsação, explode de orgulho. Sim, orgulho de você! Você que esteve incrível em cada movimento, palavra e silêncio. Você que deixou esse sorriso queimando em meus lábios e essas lágrimas brincando em meus olhos. Você que eu adoro, você que eu admiro. Você que vai deixar um mar, talvez um mundo, de saudade. O consolo que me resta é que a lembrança que vou guardar de você enquanto estiver ausente vai ser a do seu sorriso faiscando sob a luz - aquele sorriso que diz "Cheguei e fiz. Fiz o que nasci para fazer". E você, de fato, fez: Brilhou. Brilha. E sei que vai continuar a brilhar, mesmo que de longe - como as estrelas, que não abandonam seu brilho mesmo quando não podemos vê-las. Você é uma estrela... E vou continuar vendo seu brilho de longe até você voltar.
Vou sentir sua falta mais do que você pode imaginar.
Obrigada por tudo.

Com carinho...


"And if you have to go
Always know that you shine brighter
Than anyone does..."

(Brighter - Paramore)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Today was a fairy tale..."

A coxia estava escura e imersa no mais completo silêncio, quebrado apenas pelo som de nossas respirações e pelo suave ranger do palco sob nossos pés. Do lado de fora, por trás das grossas cortinas verdes, ainda podíamos ouvir o burburinho de conversa e as risadas excitadas do público. O chão parecia retumbar com seus passos e as cadeiras rangiam a cada leve movimento - ou talvez eu apenas estivesse nervoso. Meu coração parecia prestes a explodir.

Então, senti sua mão contra a minha - era quente, macia e tremia levemente. Buscava meus dedos com um certo tom de desespero, provavelmente sem sequer se dar conta de quem estava ali. Entrelacei meus dedos aos seus e puxei-a de leve para baixo, indicando que se sentasse - ainda teríamos alguns minutos daquele silêncio agitado antes que as cortinas se abrissem e a peça começasse. Ela obedeceu sem hesitar ou discutir.

Senti quando ela se inclinou para trás, suas costas fazendo meu ombro de encosto. Procurei uma posição mais confortável, ela fez menção de se afastar. Pousei a mão livre em sua cintura para impedi-la e ela estacou, em dúvida. Lentamente, voltou a deitar a cabeça em meu ombro, tomando um cuidado quase exagerado para não estragar o cabelo ou a maquiagem - não teríamos chance de refazê-los... Era quase nossa hora.

Seu olhar parou em meu rosto, percorrendo minhas feições atentamente, e eu a fitei de esguelha. Observei-a morder o lábio, pensativa, e um sorrisinho involuntário escapou pela minha boca. Ela franziu a testa, interrogativa. Não expliquei. Ela permaneceu ali, parada, esperando. Então, dei de ombros. Era muito difícil ver qualquer coisa além da sua silhueta e do brilho castanho de seus olhos na penumbra, mas eu podia apostar que sua expressão se transformara, devagar, em uma máscara de choque e compreensão a medida em que eu me inclinava em sua direção.

Seu hálito era quente e seus lábios, macios. O beijo foi cuidadoso, suave - ainda assim, fogos de artifício pareceram explodir em minha cabeça, barrando o caminho de qualquer pensamento. Senti quando ela se afastou e não demorei a abrir os olhos e encontrar o conhecido tom de castanho me fitando curiosamente. Dei de ombros, o sorrisinho voltando a abrir-se em meus lábios. O seu sorriso igualou-se ao meu à medida em que ela aproximava a boca do meu ouvido para sussurrar:

- É bom que você não tenha estragado a minha maquiagem.

Seu tom respondia o que meu beijo perguntara. "É, eu também gosto de você". E foi com um sorriso largo, os batimentos cardíacos acelerados e a sua mão contra a minha que adentrei o palco para tomar minha posição e esperar as cortinas se abrirem.


"How much pain has cracked your soul?
How much love would make you whole?
You're my guiding lightning strike

I can't find the words to say
They're overdue
I'd travel half the world to say:
I belong to you..."
(I belong to you - Muse)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dos sentimentos que guardo em uma caixinha muito bem trancada...

Eu te diria exatamente o que estou sentindo se eu conseguisse pôr um nome. Passei as últimas noites em claro, vasculhando cada recanto da minha mente em busca de um indício, uma inicial... Mas tudo que encontro é uma confusão. Um nó. É uma mistura de raiva com dor, arrependimento com liberdade, tudo jogado de qualquer jeito em um mar de saudade... Não saudade de você - saudade de nós. E, bem lá no fundo, eu sei que estou bem com tudo isso. Foram só as circunstâncias que despertaram essas lembranças antigas, que eu fiz tanta questão de enterrar e esquecer sem encarar... Foram só as circunstâncias que me trouxeram aqueles planos que fizemos durante meses - planos que agora soam tão perfeitos que não consigo me lembrar qual foi a falha. Enfim, não se preocupe, não existe amor ou mágoa em nenhum pedaço de mim - não dedicados a você, pelo menos. A você, reservo apenas a minha indiferença - uma indiferença meio forçada, de quem não pode odiar, tampouco pode se permitir lembrar. O amor você jogou fora, a mágoa o tempo curou. Foram só as circunstâncias que trouxeram suas lembranças de volta.


"And here we go again
With all the things we said
And not a minute spent
To think that we'd regret
So we just take it back
The words and hold our breath
Forget the things we swore we meant

I'll write you just to let you know
That I'm all right
I can't say I'm sad to see you go
'Cause I'm not..."

(Here we go again - Paramore)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ei, moço! Psiu!

Com licença, moço... Você poderia, por favor, parar de me decepcionar? Se não pretende, não demonstre... Se demonstrar, cumpra. Porque estou ficando realmente cansada de abrir as minhas mãos e encontrar apenas ar frio. E estou realmente cansada de esperar um beijo de boa noite e receber um sorriso bobo do outro lado do quarto, do carro, do mundo. Sabe, moço, você é simplesmente encantador... Mas eu já deixei outros moços encantadores antes. E prometi que, dessa vez, não deixaria que nenhum sorriso bobo me derrubasse novamente - afinal, ainda nem tive tempo de limpar os arranhões em meus joelhos!

Sabe, moço, por um momento eu pensei que você fosse o príncipe encantado... Por um momento eu pensei que você fosse aquele cara certo que tanto desprezei - até te encontrar e perceber que era exatamente isso que eu procurava.

Que tal me provar que não estou enganada?
Ainda estou te esperando por aqui... E a meia-noite não é o meu limite.


"I remember every look upon your face
The way you roll your eyes, the way you taste
You make it hard for breathing..."

(Two is better than one - Boys Like Girls feat. Taylor Swift)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"You make me feel like I'm living a teenage dream..."


 - Eu consigo pensar em pelo menos quinze razões para você não sair com ele.
- É, eu também.
- Mas você vai mesmo assim.
- Vou.
- Por quê?
- Eu não sei. Parece... Certo.
- Essa é uma das razões para você não sair com ele. Você detesta o certo! Você gosta do jogo! Você é apaixonada pela conquista!
- Eu sei.
- E por que você está deixando o príncipe encantado te tirar da torre quando você sempre preferiu os caras maus de capa preta?
- Eu não sei... Talvez seja só o sorriso dele. Eu já comentei que tenho um fraco por sorrisos bobos? Talvez eu tenha cansado de proteger e, pela primeira vez, queira ser protegida... Talvez ele seja só aquele cara que você não pode negar que é o certo e, consequentemente, não pode afastar. Talvez eu simplesmente goste dele.
- Você enlouqueceu.
- Acho que simplesmente gosto dele.

"My heart stops when you look at me
Just one touch, now, baby, I believe this is real
So take a chance and don't ever look back
Don't ever look back..."

[Teenage Dream - Katy Perry]

PS.: Fictício, vale ressaltar. :/'

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ao garoto do circo, da pequena sonhadora.

Ao primeiro amor,

Lembro bem, um ano atrás, que te chamavam de Sky. Seu verdadeiro nome? Nunca cheguei a conhecer. Também nunca me importei muito... A verdade era que você era mais importante que um nome - afinal, fosse Sky ou Alejandro, ainda assim não seria você? Se não fosse... Bom, talvez eu preferisse Sky, o garoto dos cabelos rebeldes e dos olhos verde-jade, que ganhava a vida brincando com fogo. O garoto que sentou ao meu lado no bar e perguntou, singelo, se podia encher meu copo.

Lembro bem, um ano atrás, que você nunca me deixou conhecer seu passado, sua família, lembranças embaraçosas da infância ou planos irreais para o futuro. Você era agora, Sky - só agora. E você era sozinho. E eu? Que ousada fui, entrando em sua solidão desse jeito, sem sequer pedir permissão. Bom, melhor assim... Estamos quites agora. Você tampouco pediu permissão para deixar tudo para trás - nosso encontro, nossa música, nosso futuro incerto e aquela única rosa no banco da praça. Nosso banco.

Lembro bem, um ano atrás, que você costumava dormir no meu ombro e que gostava mais do meu cabelo solto. Lembro de você me embalando em seu abraço e da sua voz cantarolando Queen ao pé do meu ouvido. Lembro de você quando acordo e vejo sua xícara de café - aquela que você nunca usou, mas que comprou só para deixar ao lado da minha na prateleira. Lembro de você ao adormecer e quase posso sentir sua respiração tranquila em meu pescoço.

Lembro bem, um ano atrás, que você não apareceu. Que não ligou e não pediu ao porteiro para me dar nenhum recado. E lembro que eu soube de imediato. Lembro que me doeu a ausência daquela tenda de circo, da sua escova de dentes, da sua certeza de que tudo terminaria bem. E doeu ainda mais a ausência de uma carta, um bilhete, um aviso, um desenho no espelho do banheiro. Doeu te deixar partir, Sky, e acordar na manhã seguinte sem saber se havia sido apenas um sonho.

Hoje, teríamos feito dois anos de namoro... Mas você partiu e me deixou aqui, com copo, corpo e coração vazios. Feliz um ano de ausência, Sky.

Com carinho,
Aquela que ainda espera sua ligação.


"If someone said three years from now
You'd be long gone
I'd stand up and punch them out
'Cause they're all wrong
I know better, 'cause you said forever
And ever...
Who knew?"

(Who Knew - Pink)

Conto para o Bloinquês, 17ª edição de Cartas.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

R.S. ♥

Sabe, você pode contar comigo. Você pode contar comigo para errar e nem sempre saber como pedir desculpas... E também pode contar comigo para errar e nem sequer me dar conta disso. Você pode contar comigo para gritar com você por não confiar em mim o suficiente e por pensar que eu, algum dia, te abandonaria. Pode contar comigo para te decepcionar e me desapontar comigo mesma por isso, mas não ser capaz de engolir o orgulho e dizer a coisa certa. Pode contar comigo para nem sempre ser a melhor pessoa e nem sempre ser a melhor amiga, mas te amar sempre - todos os dias, a cada minuto. Pode contar comigo para nem sempre aprovar suas atitudes, nem sempre concordar com você, nem sempre chegar a tempo... Mas estar lá. Mesmo que atrasada, eu sempre vou estar lá. Mesmo que não saiba o que dizer, eu sempre vou estar lá para correr atrás de você e te impedir de ir embora.

Porque você é a minha melhor amiga, o que quer que isso queira dizer.
E eu não sei o que seria de mim sem você.


"Essa sou eu engolindo meu orgulho,
Parando em frente a você e dizendo:
Me desculpe por aquela noite"

(Back to December - Taylor Swift)

sábado, 6 de novembro de 2010

Sabe aquele beijo que você deixou em minha bochecha antes de ir embora?
Queimou o meu rosto por horas e horas... E eu juro que quase consegui sentir o gosto.


"Time together is just never quite enough
When we're apart, whatever are you thinking of?
What will it take to make or break this hint of love?
So tell me, darling, do you wish we'd fall in love?
All the time..."

[The Saltwater Room - Owl City]

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"You've got me feeling like a child now..."

Quando pequena, eu aprendi uma coisa que carrego comigo até hoje... Uma lógica infalível: Se você está disposto a dar o último gole da bebida a uma pessoa, é porque ela é muito especial para você. E por isso eu nunca pedi o último gole do refrigerante a ninguém - nem o último biscoito do pacote, a última mordida do pastel, a última batatinha do saco. Também nunca ofereci a ninguém (além da minha mãe, claro).

E aí veio você... E é inevitável não te dar o último Tic Tac da caixinha ou o último pedaço do chocolate. Acho que isso quer dizer que você é muito especial para mim... Que você é absolutamente essencial para mim.


"What am I gonna say
When you make me feel this way?
I just, hm...

Starts in my toes
Makes me crinkle my nose
Wherever it goes
I always know
That you make me smile
Please, stay for a while now
Just take your time
Wherever you go..."

[Bubbly - Colbie Caillat]

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Só pra você entender porque estou desistindo...

"- O que acontece quando uma força que não pode ser parada vai de encontro a um objeto que não pode ser movido?
- Isso nunca acontece. Se existe uma coisa que não pode ser parada, não é possível que exista outra coisa que não pode ser movida e vice-versa. É um paradoxo, entende? É uma pegadinha".
 
Essa nunca foi uma luta justa, nós sempre soubemos... Sua escolha já estava feita o tempo inteiro e só eu não tinha percebido isso ainda. Mas eu percebi agora. E eu espero, mesmo, que vocês sejam felizes... Que ele queira você tanto quanto eu quero, mas que também te ame tanto quanto eu amo - o suficiente pra te ver com outra pessoa e aceitar isso caso você esteja feliz. O suficiente pra deixar você chorar no ombro dele por outro alguém. O suficiente pra ser seu amigo, seu irmão, seu namorado ou o que quer que você precise que ele seja. Perdoe a minha persistência, mas não existe desistência sem luta.
E lembre sempre que eu te amo.


"Mais do que tudo, eu queria ser o motivo da sua felicidade. Mas se eu não sou, então... Não posso atrapalhar. Você vê? Porque o que você está sentindo agora é uma força que ninguém pára... O que significa que eu tenho que sair."
 
(Trechos entre aspas do filme "Imagine Eu e Você")

domingo, 17 de outubro de 2010

Ela. Simplesmente ela.

Ela gosta de maracujá - em especial de trufa de maracujá - e de tudo que contenha morango. Ela gosta mais do Sonho de Valsa branco e do M&M's que tem amendoim dentro. Ela gosta de coisas alegres. Ela tem mania de rabiscar em guardanapos e de almoçar com as pernas cruzadas. Ela gosta de arte em tecido e pinta mais do que desenha. Ela gosta mais de vermelho que de azul e prefere o Coringa ao Batman. Ela é forte, mas chora fácil. Ela gosta de Star Treck, Beatles, Guns, AC/DC, All Star, Homem Aranha e coisas da Coca-Cola. Ela gosta de borboletas, joaninhas e do Bob Esponja. Ela é muito mais responsável do que aparenta. Ela franze o nariz e aperta os olhos quando ri e não costuma usar meias iguais. Ela gosta de jujuba e de chocolate, de desenhos da Disney e de cultura japonesa, de maçãs do amor, coturnos e nunca comeu um Kinder Ovo.

Ela é aquela garota de cabelos e olhos castanhos que talvez não se destaque em uma multidão... Mas que te faz parar e olhar novamente assim que sorri. E você simplesmente não se cansa de olhar. E, quando você menos espera, já quer ouvir aquela voz todos os dias... Já não consegue tirar aquele sorriso da cabeça. Já não pode negar que se apaixonou. E tudo que você quer é que ela olhe em sua direção e diga que está tudo bem - você pode se aproximar, abraçá-la e fazê-la feliz para sempre.






"Até parece que você já tinha
O meu manual de instruções
Porque você decifra os meus sonhos
Porque você sabe o que eu gosto
E porque quando você me abraça
O mundo gira devagar..."

[Equalize - Pitty]

domingo, 10 de outubro de 2010

"mother, looking at me, tell me: what do you see?"

Os minutos se passavam devagar, cada um deles parecendo conter dentro de si uma eternidade. A madeira escura da porta estava ali, bem diante dos meus olhos - era a porta que eu passara os últimos meses esperando para encarar novamente. Segurava a chave com tamanha firmeza que os nós dos meus dedos estavam brancos e, apesar disso, o único ruído que quebrava o silêncio era o leve tilintar do chaveiro enquanto minha mão tremia.

"Será que vão me odiar pelas escolhas que eu fiz?", minha voz soou baixa e insegura.

Seus passos soaram altos como trovões na quietude do hall quando ela aproximou-se por trás, passando os braços pela minha cintura e repousando suavemente o queixo no meu ombro. Senti seu hálito quente em minha bochecha - as batidas aceleradas e irregulares do meu coração distoavam completamente dos batimentos ritmados do seu.

"Bobagem", sentenciou ela, em um murmúrio confiante. "Eles sentem sua falta. Eles amam você. Você não fez nada de errado. Eles não têm motivos para te odiar".

"Espero que eles aprendam a amar você tanto quanto eu amo", lhe confidenciei, e não pude deixar de sorrir ao ouvir seu riso baixo e envergonhado.

Deixei minha mão correr até seu queixo, puxando o rosto dela com delicadeza para mais perto do meu até que nossos lábios se tocassem em um beijo terno. As borboletas em meu estômago se agitaram - como aquilo podia ser considerado errado se me fazia sentir tão bem? Realmente importava se éramos duas garotas quando éramos tão felizes juntas?

Inspirei profundamente - seu perfume estava em todos os lugares. Hesitei. Senti sua mão em meu braço, empurrando-o levemente para frente. Suspirei, vencida. Enfiei a chave na fechadura e girei-a. A porta rangiu ao abrir-se.

"Mãe? Pai?", chamei, ouvindo o som de risos e cadeiras arrastando-se no chão como resposta. "Precisamos conversar..."


[Texto escrito para o Bloinquês]

domingo, 3 de outubro de 2010

"Eu vi você, até senti tua mão e achei até que me caía bem como uma luva..."


 Se me perguntassem, não saberia dizer como o telefone havia ido parar, uma vez mais, entre meus dedos trêmulos. As últimas horas haviam passado em um borrão indistinto - uma mistura estranha de bares, bebidas, lábios, mãos e luzes nublando meus pensamentos. Eu havia bebido durante toda a madrugada, tinha certeza... Minha cabeça latejava e rodava e minha roupa cheirava fortemente a álcool.

E, apesar de não me lembrar do que havia feito ou de como havia chegado até o meu sofá, com o telefone encostado ao ouvido, eu sabia para quem estava ligando antes mesmo que a voz soasse do outro lado da linha. Não havia como duvidar.

- Por onde andou nos últimos dias? - Foi a saudação calmamente pronunciada. E eu estremeci, como sempre estremecia quando ouvia a voz dele. - Não recebi notícias suas.

- Estava por aí. - Tentei fingir não me importar. Tentei manter meu tom descontraído. Tentei impedir que cada parte do meu corpo implorasse por mais algumas palavras... Palavras que não vieram. Suspirei, vencida. - Estive tentando não sentir sua falta... Tentando ser forte sem você.

- Não entendo essa sua forma estranha de sentir saudades. - Ele murmurou, e eu sabia dizer exatamente qual era sua expressão.

Sabia que seus braços estavam cruzados sobre seu peito e que suas sombrancelhas estavam unidas sobre seus olhos castanhos, sua testa franzida. Era tão raro vê-lo aborrecido que quase me senti culpada por ter arruinado sua constante alegria. Quase. Estava ocupada demais tentando lutar contra um sorriso... Porque aquela era a forma que ele tinha de dizer que não me queria em outros braços.

- Eu tento te encontrar em outra pessoa... Mas, no final, a sua foto é o que me traz um pouco de paz. - Fechei os olhos ao falar, imaginando a expressão em seu rosto suavizar-se pouco a pouco, transformando-se em um sorriso disfarçado. Ele detestava clichês, mas amava quando era eu quem os dizia. - Você não sabe a falta que você me faz.

- Ontem nossa música tocou no rádio. - Ele confessou, hesitante. Imaginei sua camisa xadrez, seu perfume discreto, os fios de cabelo caindo em seus olhos. Tive vontade de erguer a mão e afastá-los, apenas para que ele a segurasse e plantasse um beijo em sua palma. - E eu desejei estar mais perto... Desejei poder te proteger dos trovões. - Rimos debilmente. Lutei contra as lágrimas. - Talvez a gente não tivesse que se separar, no final... Nem consigo me lembrar porque acabou.

- Talvez você pudesse voltar. - Propus, afastando um tremor da voz.

Tive vontade de rir novamente das suas tentativas mal-sucedidas de tocar violão. De lhe ajudar a procurar o casaco pela confusão da casa. De ouvi-lo murmurar, maroto, que eu baixava os olhos e mexia os dedos quando mentia. De perder a noção do tempo entre músicas, risos e solos imaginários de bateria.

- Talvez. - Ele concordou, hesitante, e meu coração contraiu-se dolorosamente em meu peito. - Mas não agora. Agora preciso organizar a minha vida. E você precisa dar um jeito na sua. Tente não passar mais uma semana sem me ligar, certo? - E eu sabia que ele estava confessando sentir falta da minha voz. Estava confessando me amar.

- Tente encontrar o par certo da sua meia antes de sair. - Ele riu. Sabia que eu estava confessando amá-lo. Sem responder, desligou o telefone.

Afundei meu rosto em uma almofada próxima, deixando o telefone rolar para o chão e minhas pálpebras se fecharem pesadamente. O latejar da minha cabeça foi, devagar, cedendo espaço para a inconsciência - e a realidade deixou-se levar por aquele beijo, com as pontas de nossos All Star tocando-se ternamente.

[Texto escrito para o Bloinquês.]

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Às vezes acordo no meio da noite, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto e um grito rouco ferindo a minha garganta. Eu sei que deveria esquecer... Mas o que eu não daria para ter o seu abraço me esperando quando abrisse os olhos.



"Minha mão procura pela sua mão
Em um quarto escuro
Eu não consigo te encontrar
Ajude-me
Você está procurando por mim?"

[Need - Hana Pestle]

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

E veio a primavera...

Não é que eu esteja apaixonada. Isso, na verdade, poderia receber uma infinidade de nomes - mas paixão definitivamente não é um deles. Eu só gosto de te ter por perto. Gosto do seu cheiro, do seu riso fácil, do seu toque quente, desse seu jeito de me olhar. Gosto dessa nossa brincadeira, que às vezes até beira a sinceridade. Gosto desse sem nome, que tem gosto de primavera e de adolescência. Gosto de como não me sinto um objeto dafinicado quando estou com você.

Não é que eu esteja apaixonada, só queria mais algumas horas deitada naquela cama, com seu braço roçando de leve no meu e as palavras parecendo sempre tão bobas e desnecessárias.


"Quando a gente conversa
Contando cassos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos..."

[Cazuza]

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ei... Psiu!


Eu cansei. Cansei dessa chuva, desse frio e desse desamor. Cansei desse perfume e de perder a chave nos mesmos lugares. Agora eu sou outra... Só quero um café forte, primavera e um amor que dure até o próximo inverno e depois me convença a durar por mais alguns.

Se importa se eu perder a chave no seu bolso? Não precisa me amar, não, moço... Só me querer. Se você me quiser, o resto a gente arranja.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Quando me faltam as palavras...



"Logo, logo, assim que puder, vou telefonar... Por enquanto tá doendo. E quando a saudade quiser me deixar cantar, vão saber que andei sofrendo. E agora, longe de mim, você possa enfim ter felicidade... Nem que faça um tempo ruim, não se sinta assim, só pela metade. Ontem demorei pra dormir... Tava só, sei lá, meio passional por dentro. Se eu tivesse o dom de fugir pra qualquer lugar, ia feito um pé de vento. Sem pensar no que aconteceu... Nada mais é meu, nem o pensamento. Por falar em nada que é meu, encontrei o anel que você esqueceu. Aí foi que o barraco desabou... Nessa que meu barco se perdeu... Nele está gravado 'só você e eu'."

sábado, 18 de setembro de 2010

"Se não era amor, era da mesma família"

Você foi o meu maior erro... E eu me recuso a dizer que te amo. Porque se isso é amor - essa coisa que deixa um gosto amargo em minha boca e uma pressão no meu peito que torna a respiração quase impossível - então eu não quero voltar a amar. Prefiro acreditar que não, isso não foi amor - foi você. Foi a curva do seu sorriso de criança sapeca. Foi o pique-esconde incansável de nossos olhos. Foi o seu riso despreocupado, o cheiro do seu abraço, os seus dedos entre os meus. Não, não foi amor - foi essa minha mania incontrolável de você. E agora eu preciso lembrar de como respirar sem você por perto... Preciso expulsar de mim esse muito de você que insiste em fazer doer - não foi amor, não deveria doer. Não foi amor, eu não deveria sentir sua falta. Não foi amor - foi maior.

Você foi o meu maior erro... E eu adoraria poder dizer que me arrependo, mas a verdade é que faria tudo de novo. Não, não por amor - por você.



"Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
Should've known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do..."

[Almost Lover - A Fine Frenzy]

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"Um café e um amor. Bem quentes, por favor!"

- Sabe... Estive pensando em você. - Comentou a maior, sem encarar a garota a quem dirigia tais palavras. Seus olhos estavam firmes no tampo escuro da mesa e ela tinha consciência de cada batida do seu coração. Estava tremendo.

- Em mim? - Perguntou a de cabelos escuros, pega de surpresa. Não é que não soubesse... Até tinha uma ideia. Mas o silêncio da outra lhe pesara nas costas por tanto tempo que era uma surpresa ouvi-la tocar no assunto. Estivera se perguntando se não estava apenas vendo o que queria ver.

- É. - Concordou a primeira, deixando que um sorrisinho tomasse conta de seus lábios. - Nessa sua mania de Beatles e trufa de maracujá. Nesse seu sorriso de rosa cor-de-rosa e prosa escrita à caneta. Nesse seu caminhar de amante do vento, nesse seu olhar de menina de lua, nesse seu abraço quente de quem não quer ir embora.

- Talvez eu não queira ir embora. - Murmurou a menor, observando o céu alternar tonalidades de azul, laranja e púrpura em um perfeito pôr-do-sol.

- E eu descobri que quero estar com você. - Continuou a mais velha, erguendo os olhos até as feições delicadas da outra garota. - Que quero descobrir todas as suas manias, sonhos, fantasias, planos e detalhes e defeitos.

- Não é suficiente. - Ela sacudiu a cabeça, trincando os dentes. Não sabia se desejava afastar um sorriso ou uma lágrima... Talvez os dois. Talvez a vontade de pedir um abraço e silêncio confortável.

- E que quero amar cada parte de você mesmo quando tivermos brigado, mesmo quando você chorar, mesmo quando estiver chovendo, mesmo quando for inverno. - Ela empurrou uma trufa de morango com as pontas dos dedos até que alcançasse o outro lado da mesa. Sorriu. - E te provar que maracujá não é tão bom assim.

A menor sorriu, seus cabelos escuros entrando em uma dança lenta com o vento ao redor de seus ombros. Sua mão contornou a trufa, repousando sobre a outra mão - era consideravelmente mais fria, com calos de violão nos dedos. Seus olhos também sorriram - eram castanhos como chocolate. Ainda não era suficiente... Mas, tratando-se dela, a garota duvidada que algum dia fosse ser o bastante.

Vieram as xícaras de café e a conversa tomou outro rumo. O tempo estava frio, certo? Certo. Mas logo estaria melhor - era Setembro e a primavera já começava a dar sinais sutis de sua aproximação. Trocaram sorrisos cúmplices. A de cabelos escuros tomou um gole de seu café, fazendo uma careta em seguida. Elas riram. Foi a vez da outra provar o líquido fumegante. Não houve careta, mas elas riram mesmo assim. Pagaram a conta. Hesitaram. Saíram de mãos dadas.

Não voltaram a tocar no assunto, mas dividiram a trufa de morango. Talvez aquilo quisesse dizer algo.


[Texto escrito para o Bloinquês]

sábado, 11 de setembro de 2010

Simplicidade.

Porque eu não consigo me afastar - a cada dois passos que dou para longe, meus olhos são obrigados a espiar por sobre meu ombro, buscando sua figura por apenas mais alguns instantes. E eu não posso conter um sorriso ao flagrar o seu olhar também por sobre o ombro, sorrindo de longe para o meu.

Porque isso que eu sinto tem som de Beatles e gosto de Sonho de Valsa.

(Porque antes de você eu duvidava do amor - aí você apareceu e me mostrou que eu simplesmente não o compreendia)


"E talvez as estrelas caiam da noite
Para preencher os nossos céus vazios
E nossos corações ardam.
E talvez os deuses tenham inveja
Porque nenhum deles tem o brilho
Que eu encontro escondido em seus olhos.
E em seus sonhos talvez você descubra
Que estou dando todo o meu amor para você
Através das palavras de uma canção de ninar"

[Lullaby - Taiane Uchôa]

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Só mais um sapo...

As estrelas brilhavam no céu sobre nossas cabeças e eu as observava por entre os galhos da árvore, por entre as nuvens escuras. Minha cabeça repousava tranquilamente em seu ombro, nossos dedos brincavam, entrelaçando-se e separando-se. E as estrelas brilhavam entre os nossos risos, as nossas respirações. Seu olhar encontrou o meu, prendendo-o ali durante alguns instantes - seu sorriso mantinha-se firme em seus lábios; o meu fraquejava, mas não ousava partir. E as estrelas brilhavam entre as batidas dos nossos corações, as palavras soltas no ar.

"Ela realmente acredita que poderia existir algo além de amizade entre a gente?", pergunta.
"Bobagem...", mentira.

Toda garota já disse "não" querendo dizer "sim". E as estrelas brilhavam entre os pedacinhos do meu coração, entre as lágrimas que não foram derramadas... Entre os beijos que ele não me deu.


"Mas quando você pensa, Tim McGraw,
Eu espero que você pense na minha música favorita,
Aquela que nós dançamos a noite inteira,
A lua como um projetor naquele lago
Quando você pensa em felicidade,
Eu espero que você pense 'Aquele pequeno vestido preto',
Pense na minha cabeça em seu peito,
E em meu jeans velho e surrado
Quando você pensa, Tim McGraw,
Eu espero que você pense em mim..." ♫

[Tim McGraw - Taylor Swift]

domingo, 5 de setembro de 2010

Só por uma noite...

Foi por ele.

Eu nunca admitiria, é claro, mas foi por ele. Foi por ele que passei o dia entrando e saindo de lojas, me desapontando com cada vestido, achando que nada era bom o suficiente. Foi por ele que passei a noite na frente do espelho, que me permiti ser arrumada e maquiada, que mudei o cabelo e usei o salto alto. Foi por ele que me permiti acreditar - só por uma noite.

Foi por ele que, só por uma noite, voltei a me sentir como uma garotinha em seu primeiro encontro, caminhando de mãos dadas, sorrindo ao ouvir elogios. Foi por ele que, só por uma noite, eu superei meu medo de bebida, eu superei meu medo de dançar. Foi por ele que, só por uma noite, eu voltei a fazer pedidos para estrelas e acreditar em príncipe encantado. Foi por ele que, só por uma noite, eu ignorei todos os avisos, tudo que era certo, tudo que era bom.

Claro que ele tinha que estragar tudo... Mas a culpa foi minha se, só por uma noite, voltei a ser aquela garotinha ingênua que prometi jamais voltar a ver refletida no espelho. A culpa é minha se a noite acabou e eu continuo encolhida na cama, esperando aquele telefone tocar e aquela voz pedir desculpas por ser sempre tão idiota. É claro que não vai acontecer... Mas talvez eu me permita esperar só por mais uma noite.


"I'm not a princess, this ain't a fairy tale,
I'm not the one you'll sweep off her feet..." ♫

[White Horse - Taylor Swift]

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

'Cause it's you and me...

"Por que você continua comigo depois de todo esse tempo?", ela perguntou, deitando a cabeça no braço do garoto e observando o céu azul - azul demais - que se estendia infinitamente pela pequena fresta aberta na cortina.

"Porque você não sabe cozinhar", ele respondeu, rindo consigo mesmo. "Porque você é desorganizada, atrapalhada e conta piadas sem graça. Porque você detesta os meus amigos. Porque você parece incapaz de se concentrar em algo por mais de dois minutos. Porque você sempre ri quando não deve. Porque você tem essa postura de forte, mas na verdade é só uma garotinha carente e perdida. Porque você não consegue admitir que tem um problema ou confessar que se importa. Porque você se esconde - até mesmo de mim. Até mesmo de você. E, ainda assim, eu te acho absolutamente fascinante e adorável. E, ainda assim, eu acordo todos os dias desejando ver o seu sorriso, sentir o seu perfume e te dizer que, ainda assim, eu te amo".


"Coffee and cigarettes
Are best when shared with you..." ♫

[Coffee and Cigarettes - Nevershoutnever]

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Liberdade.

Foi quando senti as gotas caindo em meu rosto que percebi - elas não me feriam mais. Parei no meio da rua e olhei para o alto, fitando o céu cinzento e sentindo cada gota de chuva escorrer pela minha pele e lavar a minha alma, levando consigo cada mágoa e cada ressentimento. Meu cabelo grudava em minhas costas, a camisava colava em meu corpo e o sorriso que brotou em meus lábios foi, pela primeira vez em um bom tempo, absolutamente espontâneo. Meu coração parecia inteiro, livre. As batidas não acompanhavam mais o ritmo daquele coração - faziam o seu próprio ritmo, esperando aparecer a melodia que se encaixaria suavemente na sua. As pessoas me encaravam como se eu fosse louca... Mas, por algum motivo, eu não me importava. Ri - um riso limpo, puro, sincero - baixei a cabeça e segui meu caminho, atrasando cada passo, aproveitando cada respiração.

Então essa é a sensação de viver.


[Para ler ouvindo Candles - Hey Monday]

"Blow the candles out
Looks like a solo tonight
But I think I'll be alright..."

("Apague as velas
Parece que estarei só essa noite
Mas eu acho que vou ficar bem")

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"Happy birthday to you..."



A pergunta do dia é: O que aprendi em meus exatos dezesseis anos de vida?

Aprendi que o mundo gira. Tudo que é eterno, invariavelmente encontrará seu fim. Tudo que é verdade, eventualmente será dado como mentira. Aprendi que mesmo que você seja um bom menino, às vezes o Papai Noel não vem - e é decepcionante encontrar a cartinha ainda na meia e nenhum presente debaixo da árvore. Aprendi que não existem príncipes encantados e que nem todos os finais são felizes. E que a palavra "acabou" não significa que nunca houve amor - só que, de alguma maneira, aquilo é o certo a se fazer... Mesmo que machuque.

Aprendi que o mundo é dos que sabem jogar, mas a vida é dos que sabem sonhar e a felicidade é dos que sabem amar. Aprendi que a vida não tem nada a ver com justiça - tem a ver com realidade. Aprendi que nem todas as feridas cicatrizam bem e que nem sempre "um beijinho" faz passar. Aprendi que as pessoas são assustadoras... E que é simplesmente impossível não desapontar ninguém se quiser ser feliz. E que algumas regras simplesmente foram feitas para serem, sim, quebradas. Aprendi que amar não é tudo - às vezes, simplesmente não é o bastante. Aprendi que amar não é aprisionar - na maioria das vezes, amar é libertar... E, de vez em quando, amar é desistir.

Aprendi que é mais fácil falar que fazer, querer que conseguir, sonhar que poder. Aprendi que "desculpe" é uma palavra mágica, mas que nem sempre a mágica resolve tudo. Aprendi que "adeus" nem sempre é o fim. Aprendi que crescer machuca.

E hoje, fazendo dezesseis anos, ainda me sinto como uma garotinha de seis que foi brincar em pátios desconhecidos e não consegue encontrar o caminho de casa... Mas que, de alguma maneira, conseguiu substituir o medo do desconhecido pelo encanto de ver o mundo como gente grande.

"Pequena borboleta
Não importa o quanto você tente
Você será segregada
Você será negada
Você é inexperiente e imatura
Porque você foi pega no meio do caminho

Você tem apenas dezesseis
Tenta cruzar a linha
Mas suas asas ainda não estão prontas
Você tem apenas dezesseis"

[Sixteen - No Doubt]

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

eu não faço sentido...

(... mas, de alguma maneira, você entende.)
 
 
Talvez o problema seja eu - eu,
que sempre gostei de brincar de conquista,
hoje só queria poder brincar de amor.

domingo, 15 de agosto de 2010

"Someday we'll know why I wasn't meant for you..."

Odeio o modo como você dorme com a boca meio aberta, como uma garotinha indefesa. Odeio o modo como você franze o nariz quando ri e como seus olhos se estreitam quando você sorri. Odeio o modo como você sente cócegas nas pernas e como conhece cada um dos meus pontos fracos. Odeio o modo como você sabe exatamente quando preciso de um abraço e como você esconde o rosto nas mãos quando está com vergonha.

Odeio quando você me deixa sem resposta e como sabe que não sei te negar nada. Odeio quando você me lança aquele olhar maroto tão unicamente seu e eu percebo que não consegui me esconder de você. Odeio como você se perde do mundo cantarolando o trecho de uma música qualquer ou observando uma borboleta voar e quando me faz rir muito.

Odeio o modo como nunca é você quando meu telefone toca... E como eu continuo a esperar que seja, mesmo sabendo que só vou ver minhas esperanças desabarem. Odeio o modo como você não tem medo de se aproximar, de me ganhar, de me decifrar e como só consigo esquecer o resto do mundo quando estou perto de você. Odeio o modo como você vê o mundo diferente de todos os outros e como conseguiu me ensinar a enxergar da mesma maneira.

Odeio o seu cheiro, a sua voz, a sua pele, o seu sorriso... Odeio você. Odeio amar cada parte de você. Odeio amar você.


"If I can ask God just one question:
Why aren't you here with me tonight?" ♫

[Someday We'll Know - New Radicals]

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O que você diria se não pudesse dizer nada?

Está tudo escrito em meu olhar...
E é engraçado perceber que você sempre foi o melhor leitor, mesmo que insista em sorrir e fazer de conta que não viu.



"And it's hard to hold a candle
In the cold november rain..."♫

[November Rain - Guns N' Roses]

domingo, 8 de agosto de 2010

Sem nexo, com amor.


Ela aconchegou-se melhor no abraço do garoto, repousando a cabeça em seu ombro nu. Ela vestia uma das camisas dele - aquela sua favorita... Aquela que ele usava só para agradá-la. O sol de fim de tarde adentrava o quarto de mansinho, pintando todas as cores de tons alaranjados. No chão, seus All Star sujos e coloridos se tocavam, os cadarços entrelaçados - como os seus dedos. Os sons da cidade pareciam distantes e irreais - como que vindos de um sonho. Aquele quarto era um mundo à parte... Um mundo exclusivamente deles. Ali as respirações se misturavam e os corações batiam descompassados, seus ritmos perdendo-se e encontrando-se, como em um jogo de pique - esconde. O diálogo era suave, todas as palavras ditas à meia voz, à meia luz.

- Não esperava ver você...
- Quis te fazer uma surpresa.
- Por que veio?
- Porque meu coração bate por você desde que eu era só um moleque de dezesseis anos, que não entendia nada de amor e não sabia o que queria da vida. Só sabia de duas coisas.
- O quê?
- Que eu queria você. - Ele tocou o coração da garota por sobre o tecido fino da camisa. - E que um dia iríamos fugir juntos.
- E por que veio? Quer dizer... Como tinha tanta certeza de que daria certo? - Ela riu baixinho, inspirando o perfume dele.
- Porque quando te vejo, continuo a me sentir um moleque de dezesseis anos. - Ele deu de ombros. - E meu pai me disse que quando eu encontrasse uma garota que me fizesse sentir assim, ela seria a garota da minha vida.

Eles selaram os sorriso em um beijo... Era o "felizes para sempre".

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Abandono.


Na mochila, apenas algumas mudas de roupa, algum dinheiro enrolado em uma meia velha e um livro que pudesse distraí-la do que estava fazendo. Ela ficou parada durante alguns instantes, hesitando, duvidando, arrependendo-se... Então terminou de amarrar os cadarços e levantou-se silenciosamente.

No escuro do quarto, observou a silhueta que repousava tranquilamente do outro lado da cama... Uma lágrima rolou pelo seu rosto, indo brincar no sorriso triste que brotara em seus lábios. Aproximou-se alguns passos, curvou-se sobre a cama e deixou que seus dedos, por um instante, afundassem nos cabelos da jovem e passeassem por sua bochecha. Uma vez mais, parou, pensou... Depositou um beijo leve em sua testa e afastou-se, tomando cuidado para não despertá-la dos seus sonhos.

Suspirou. Tateou a mesinha de cabeceira, em busca de papel e caneta, e rabiscou poucas palavras. Ainda ajoelhada ao lado da cama, enrolou o pedacinho de papel e prendeu-o em sua aliança fina e prateada, deixando ambos sobre o travesseiro onde costumava deitar-se. Atravessou o quarto sem olhar para trás e ganhou o corredor em poucos instantes. Precipitou-se para fora da casa e inspirou profundamente o ar noturno. Chovia - ela não se importava.

Na manhã seguinte, tudo que ela encontraria seria um lado da cama vazio, uma aliança abandonada e as palavras "Eu sinto muito... Não dá mais" ecoando na solidão do quarto.

[Para ler ouvindo: Breathe - Taylor Swift feat. Colbie Caillat]
 
"I see your face in my mind as I drive away
'Cause none of us thought it was gonna end that way
People are people and sometimes we change our minds
But it's killing me to see you go after all this time..."

domingo, 1 de agosto de 2010

Mind Games.




- Então... Você voltou para me visitar. - O rapaz murmurou, sentando-se em uma posição mais confortável no catre pequeno e sujo. Ele sorriu.

A jovem aproximou-se alguns passous e parou, fitando-o por trás das grades. Involuntariamente, seus lábios curvaram-se em um sorriso em resposta ao dele. Ela não reprimiu-se por isso.

- Tinha que vir. - Ela respondeu, sentindo o olhar do rapaz analisar cada traço do seu rosto. - Afinal, nossa relação durou tanto tempo...

- Sentiu minha falta? - Ele arriscou, levantando-se e aproximando-se dela com passos firmes.

Ela fez que não com a cabeça, mantendo um sorrisinho misterioso nos cantos dos lábios. Ele estendeu as mãos, apoiando-as nas barras de metal. Ela imitou o seu gesto, repousando as mãos sobre as dele. Não disseram nada durante alguns instantes, trocando farpas e carícias apenas através dos olhos.

- Encontrei alguém melhor. - Ela explicou, dando de ombros minimamente. - Você sempre disse que não era o meu príncipe encantado e estava certo.

- Veio se despedir? - Ele tentou novamente. Dessa vez, o aceno de cabeça foi afirmativo.

- Espero que possamos ser amigos... Quando você sair daí. - Ela indicou a cela com a cabeça. Ele concordou silenciosamente e eles trocaram um sorriso cúmplice, compartilhando memórias.

Ela passou os braços pelas grades até que as suas mãos tocassem o rosto dele, as pontas dos seus dedos sentindo a barba por fazer, a textura da pele, dos lábios, dos cabelos. Ele aproximou-se, sem muita hesitação, e beijou a palma de sua mão. Ela afastou-se, ainda sorrindo.

- Você vai sentir minha falta. - Ele alertou, dando-lhe um sorriso triste.

- Eu vou sentir sua falta. - Ela lhe confidenciou, já rumando para a saída. - Mas por enquanto estou melhor sem você, Medo.

E assim, sem olhar para trás, ela voltou a cruzar as ruas da cidade. Sabia que algum dia Medo seria solto... Esperava que, quando esse dia chegasse, ela já estivesse pronta para ter uma relação madura com ele - uma amizade onde ele pudesse aceitar sua relação com a Liberdade e ela pudesse perdoá-lo por ter matado a Coragem.

Por enquanto, talvez fosse melhor daquele jeito... Apenas ela e sua Liberdade, descobrindo a vida juntas.


Observação: Texto feito para o Bloínquês.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"E o que ela quer? Que eu deixe a sua filha em paz..."

Proibições não me importam e regras não me atraem. Percebi que o mais difícil é descobrir por quem vale a pena lutar - eu descobri você, então, por que desistiria?

Eles podem trancar a porta? Grande coisa. Eu sei pular janelas.

"Foi você que fez meu mundo desandar
E me perder ao te encontrar
Se conto as horas pra te convencer
É você e não me importa mais ninguém
Pra te ter vou mais além
E nada vai tirar você de mim"

[Aquela História - Strike]

sábado, 24 de julho de 2010

Romeo&Juliet

Talvez Romeu e Julieta tenham se sentido desse jeito... Proibidos de amar, mas amando mesmo assim. Talvez Romeu sentisse o coração falhar uma batida sempre que segurava a mão de Julieta... Talvez ele não conseguisse deixar de gaguejar e tremer, como se a visse pela primeira vez todas as vezes em que a via. Talvez ele sempre sentisse borboletas no estômago quando se beijavam, como se sempre estivessem se beijando pela primeira vez. Talvez ele simplesmente se perdesse no olhar dela, guardando cada traço do seu rosto em sua memória como se aquele fosse o último momento que passariam juntos. Talvez só quando ela estava entre os seus braços ele sentisse que tudo estava em seu devido lugar. Ou talvez estes sejam apenas os meus sentimentos. Talvez isso seja amor. Talvez seja você.

Tudo que sei é que metade do meu coração sempre esteve com você... E a outra metade eu te dei no dia em que nos conhecemos.


"Romeo, save me, they're trying to tell me how to feel
This love is difficult, but it's real
Don't be afraid, we'll make it out of this mess
It's a love story, baby, just say yes"

[Love Story - Taylor Swift]

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Welcome to our land.


Olá, estrangeiro.

Seja bem vindo ao planeta Terra. Nós, habitantes do planeta azul, esperamos que você tenha uma maravilhosa estadia em nosso mundo. Antes de se sentir livre para explorar os mistérios do nosso planeta, aqui estão algumas informações que você talvez deseje saber a respeito do nosso povo:

Somos conhecidos como seres humanos. Todos nós. Em teoria, somos os únicos seres do planeta com encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor. Eu, particularmente, tenho minhas dúvidas a respeito do encéfalo altamente desenvolvido Também somos todos pertencentes a uma única raça - a raça humana. Nós, entretanto, temos algumas subdivisões: Negros, índios, mulatos, chineses, ingleses, americanos, portugueses, heterossexuais, homossexuais, mulheres, homens, crianças, idosos, ricos, pobres, miseráveis, católicos, protestantes, budistas, judeus, dentre tantos outros. Uma classe discrimina a outra e todos terminam machucados e infelizes.

Não fique intimidado... Apenas tome cuidado ao andar pelas ruas. Talvez uma criança pobre te peça uma esmola - talvez uma garotinha rica de olhos azuis roube a sua carteira. Nunca se sabe. Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua - talvez um carro não te veja, talvez uma bala perdida te encontre. Olhe para baixo - existem ratos em cada esgoto. Mas também olhe para o alto - os pais criaram o péssimo hábito de atirar garotinhas pela janela. E evite deixar o seu dinheiro na mão dos políticos - eles gostam de carregar as notas em meias, cuecas e malas... E esquecem de devolver depois.

Lembre-se sempre que aqui as diferenças não são bem aceitas - se você não é branco, heterossexual, cristão e homem, tenha cuidado... Se você é, também. Nos países desenvolvidos, o pensamento é subdesenvolvido. Nos países subdesenvolvidos também. Mas não precisa se preocupar - o Bicho-Papão e o Monstro do Armário já se aposentaram há muito tempo.

Desejamos que a sua visita seja a mais agradável possível.

Atenciosamente,
T.U.

"Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar, estamos em guerra
Você não imagina a loucura"

[Alô, alô, marciano - Rita Lee]

sábado, 17 de julho de 2010

S.O.S.



Um dia ela acordou e simplesmente soube que não estava tudo bem... E que aquilo, fosse lá o que fosse, não iria embora por livre e espontânea vontade. Ela acordou e soube que não conseguiria preencher aquele vazio ou afastar aquela tristeza. Ela acordou e soube que não conseguiria se livrar daquela solidão. E todos os meses de lágrimas sem razão e dor sem explicação, de súbito, se encaixaram... E mesmo que ainda não fizessem sentido, ao menos não pareciam mais bobagem. Ela acordou e soube que estava chovendo mesmo sem olhar pela janela. Soube que estava se afogando e afastando todas as mãos que tentavam lhe tirar da água. Soube que havia algo errado... Algo que ela não podia resolver sozinha.

E ela soube que precisava de ajuda.

"But I'm not crazy, I'm just a little unwell
I know right now you can't tell
But stay a while and maybe then you'll see
A different side of me" ♫

("Mas eu não sou louco, eu apenas não estou muito bem
Eu sei que agora você não pode dizer
Mas fique um pouco e talvez então você veja
Um lado diferente de mim")

[Unwell - Matchbox Twenty]

domingo, 11 de julho de 2010

I have a dream.

Eu queria coragem.

Queria coragem suficiente para levantar a mão e responder a uma pergunta do professor, para ir até a frente da turma apresentar um seminário, para puxar conversa com um desconhecido, para dizer o que penso, para discordar de algumas pessoas, para cantar uma música ou recitar um poema.

Queria coragem suficiente para falar a verdade mesmo que mentir seja mais fácil, para encarar os defeitos dos outros sem fugir, para encarar os meus defeitos sem me esconder, para crescer sem medo de perder a minha inocência.

Queria coragem suficiente para ser quem eu sou, para vestir as roupas que me fazem sentir bem, para ouvir as músicas que me tocam, para dançar - mesmo sem saber dançar - sem medo de que riam, para falar e ser ouvida.

Queria coragem suficiente para olhar nos olhos dos meus pais e dizer "Gosto de meninas" sem medo de ser rejeitada, sem medo de decepcioná-los por estar vivendo a minha vida.

Queria coragem suficiente para olhar nos olhos dos seus pais e dizer "Amo a sua filha", sem medo de perder você para sempre.

Queria coragem e força suficiente para mudar tudo no mundo... Para despir a minha máscara e usar a voz que ainda me resta, para dedilhar as cordas do meu violão com as notas que me agradam, para esquecer as opiniões de todos os que esqueceram que o que realmente importa na vida é ser eternamente uma criança para poder brincar de ser feliz para sempre.


"Eu tenho um sonho, uma canção para cantar
Para me ajudar a enfrentar qualquer coisa
Se você ver a maravilha de um conto de fadas
Você pode alcançar o futuro mesmo que você falhe
Eu acredito em anjos - algo bom em tudo que vejo
Eu acredito em anjos
Quando souber que é o tempo certo para mim
Vou atravessar a corrente...
Eu tenho um sonho"

[I have a dream - ABBA]

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saudade...



- Você tem que ir...
- Não faz o menor sentido, sabe? Por que eu tenho que ir? E o meu direito de ir e vir quando bem entender?
- Deixa de ser boba... Você sabe que chance igual a essa você não vai achar outra.
- Eu sei...
- Então. Por que resiste tanto em ir se sabe?
- E se ele encontrar alguém melhor que eu enquanto estou fora?
- Ah, então é isso... Você sabe que não vai acontecer.
- Por que não aconteceria?
- Porque ele não quer alguém melhor que você... Ele quer você.
- Mas...
- Sem "mas". Faça suas malas e ande rápido para não perder o voo.
- Vou sentir tanta falta dele...
- E ele de você. Vocês vão passar os próximos dias pensando um no outro... Sentindo falta dos detalhes e das bobagens, esperando uma ligação e querendo estar perto de novo. E, quando se encontrarem, vão perceber que o que sentiam ainda existe... Tudo que mudou foi que vocês dois amadureceram. Agora vá logo! Espere por ele... Ele vai estar esperando por você.
- Obrigada... Diga a ele que o que sinto não vai passar, certo? Diga... Simplesmente diga que meu coração ficou com ele. Peça que ele tome cuidado.
- Direi. Faça boa viagem...

"They don't know how long it takes
Waiting for a love like this
Everytime we say goodbye
I  wish we had one more kiss
I'll wait for you, I promise you I will...

I'm lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again..."

[e eu vou viajar... Volto só em vinte dias e aí tiro o atraso dos blogs que leio. Bom São João a todos. ^^]

quarta-feira, 16 de junho de 2010

the only exception

O garoto aproximou-se, entrelaçando os dedos aos da garota e puxando-a suavemente para mais perto. Esperou que ela passasse os braços pelo seu pescoço antes de envolver a sua cintura com as mãos. Ouvi-a rir baixinho.

- O que foi? - Perguntou, brincando com as pontas dos seus cabelos.

- Não sei... Estou com sono. - Retrucou a garota, suspirando e fechando os olhos.

- Não dormiu direito? - Ele a guiou até um banco próximo, sentando-se ao seu lado e passando a mão pela sua cintura. Mais uma vez, ela riu.

- Tenho... Medo de dormir - Ela murmurou, olhando para os próprios pés na vã tentativa de esconder as bochechas coradas. - e, quando acordar, descobrir que tudo isso não passou de um sonho. É bom demais para ser real...

Sem dizer mais nenhuma palavra, aproximou-se do garoto e deitou a cabeça em seu ombro. Ele ficou imóvel, observando-a cochilar e tentando, sem sucesso, conter um sorriso. Ele entendia como ela se sentia... Mas havia uma coisa que lhe dava a certeza de que era real. E ali, no pálido silêncio matinal, ouviu novamente - os seus corações batiam no mesmo ritmo, cantarolando uma canção que só eles dois podiam escutar... Que só eles dois podiam entender.

domingo, 13 de junho de 2010

Fugindo da torre

A garota franziu a testa, segurando o pequeno quadradinho de papel firmemente entre as pontas dos seus dedos e puxando-o para fora da mochila. Encarou-o, curiosa. Ele definitivamente não estava ali quando ela abriu a mochila pela última vez. Sem muita certeza, puxou a aba do envelope para cima e tirou de lá um pedacinho de papel dobrado.

Por que seu coração estava batendo tão rápido? Desfez as dobras do papel rapidamente e encarou as palavras ali escritas.

Eu sei... Você está presa na mesma torre há tanto tempo que já nem sabe mais como pular a janela e ver o sol se pôr. E sei que não tenho o direito de esperar que você queira sair daí e vir comigo... Mas eu espero. Então, que tal você esquecer que eu não tenho um cavalo branco e uma espada encantada, que não sou nobre e corajoso, que não sou perfeito... E vir comigo?

Prometo que não vai ser fácil... Vamos ter desafios a vencer todos os dias, vamos brigar e ter ciúmes, vamos sentir saudades e, mais de uma vez, vamos nos perguntar se fizemos a escolha certa ao trocar a nossa liberdade pela presença um do outro. Mas também prometo que não vamos nos arrepender - cada sorriso vai valer a pena, em cada abraço você vai ver que se encaixa perfeitamente entre meus braços, todas as brigas vão terminar em "eu te amo".

Que tal pular a janela agora? Estou te esperando aqui embaixo... Prometo não te deixar cair.

Ela sorriu, jogando a mochila no ombro e guardando cuidadosamente o bilhete no bolso. Sem falar nada, atravessou a porta da sala e permitiu que o garoto que lhe esperava do lado de fora passasse a mão pela sua cintura e caminhasse ao seu lado.

- Ei... - Disse, baixinho, quando alcançaram o pé das escadas. - Eu também te amo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

I miss you.

Sabe... Não é fácil aceitar que você não está mais aqui - que não está mais comigo. Não é fácil levantar de manhã, olhar para o céu azul pela janela e lembrar que você não vai comentar como está chovendo aí. Não é fácil caminhar de cabeça baixa pela calçada a caminho do colégio sabendo que você não vai estar me esperando quando eu voltar. Não é fácil ouvir a nossa música tocar no rádio e saber que essa não é mais a nossa música simplesmente porque não existe mais um "nós".

É difícil tocar qualquer música quando sei que você não vai estar assistindo. É difícil sorrir sabendo que você não vai comentar o quanto ama o meu sorriso. É difícil falar sobre você, pensar em você, seguir sem você - principalmente porque não estou sem você... Você continua aqui, em cada batida do meu coração, em cada suspiro de saudade, em cada lágrima que derramo.

Eu ainda lembro o seu sorriso, a sua risada, cada briga boba que tivemos. Ainda lembro a sua carência, o seu carinho, cada promessa que fizemos. Ainda lembro como, apesar de distantes, sempre estivemos tão juntas. Meu coração continua sendo seu, só seu...

E eu continuo a te esperar. Mesmo com medo de que você decida simplesmente não voltar...