domingo, 1 de agosto de 2010

Mind Games.




- Então... Você voltou para me visitar. - O rapaz murmurou, sentando-se em uma posição mais confortável no catre pequeno e sujo. Ele sorriu.

A jovem aproximou-se alguns passous e parou, fitando-o por trás das grades. Involuntariamente, seus lábios curvaram-se em um sorriso em resposta ao dele. Ela não reprimiu-se por isso.

- Tinha que vir. - Ela respondeu, sentindo o olhar do rapaz analisar cada traço do seu rosto. - Afinal, nossa relação durou tanto tempo...

- Sentiu minha falta? - Ele arriscou, levantando-se e aproximando-se dela com passos firmes.

Ela fez que não com a cabeça, mantendo um sorrisinho misterioso nos cantos dos lábios. Ele estendeu as mãos, apoiando-as nas barras de metal. Ela imitou o seu gesto, repousando as mãos sobre as dele. Não disseram nada durante alguns instantes, trocando farpas e carícias apenas através dos olhos.

- Encontrei alguém melhor. - Ela explicou, dando de ombros minimamente. - Você sempre disse que não era o meu príncipe encantado e estava certo.

- Veio se despedir? - Ele tentou novamente. Dessa vez, o aceno de cabeça foi afirmativo.

- Espero que possamos ser amigos... Quando você sair daí. - Ela indicou a cela com a cabeça. Ele concordou silenciosamente e eles trocaram um sorriso cúmplice, compartilhando memórias.

Ela passou os braços pelas grades até que as suas mãos tocassem o rosto dele, as pontas dos seus dedos sentindo a barba por fazer, a textura da pele, dos lábios, dos cabelos. Ele aproximou-se, sem muita hesitação, e beijou a palma de sua mão. Ela afastou-se, ainda sorrindo.

- Você vai sentir minha falta. - Ele alertou, dando-lhe um sorriso triste.

- Eu vou sentir sua falta. - Ela lhe confidenciou, já rumando para a saída. - Mas por enquanto estou melhor sem você, Medo.

E assim, sem olhar para trás, ela voltou a cruzar as ruas da cidade. Sabia que algum dia Medo seria solto... Esperava que, quando esse dia chegasse, ela já estivesse pronta para ter uma relação madura com ele - uma amizade onde ele pudesse aceitar sua relação com a Liberdade e ela pudesse perdoá-lo por ter matado a Coragem.

Por enquanto, talvez fosse melhor daquele jeito... Apenas ela e sua Liberdade, descobrindo a vida juntas.


Observação: Texto feito para o Bloínquês.

4 comentários:

Aline disse...

Estou seguindo seu blog. É a primeira vez que o visito e fiquei encantada com seus textos. Boa sorte (yn) com este no Bloinquês, ficou muito bom, a relação entre medo e liberdade é difícil, mas é uma das graças da vida. Te cuida ^^

Rebeca Rocha disse...

Cara, teus textos me fascinam!
Parabéns menina!

G I L B E R T O disse...

T

Escreves de uma forma que não nos dá saída, minha amiga: amamos seu texto à primeira vista!

GRato novamente!

gilberto (nel mezzo del cammim)

G I L B E R T O disse...

Post Coments:

T

tomei a liberdade de ser seu seguidor...

Espero que me dês esta honra!

Estejas bem agora e sempre!