domingo, 10 de outubro de 2010

"mother, looking at me, tell me: what do you see?"

Os minutos se passavam devagar, cada um deles parecendo conter dentro de si uma eternidade. A madeira escura da porta estava ali, bem diante dos meus olhos - era a porta que eu passara os últimos meses esperando para encarar novamente. Segurava a chave com tamanha firmeza que os nós dos meus dedos estavam brancos e, apesar disso, o único ruído que quebrava o silêncio era o leve tilintar do chaveiro enquanto minha mão tremia.

"Será que vão me odiar pelas escolhas que eu fiz?", minha voz soou baixa e insegura.

Seus passos soaram altos como trovões na quietude do hall quando ela aproximou-se por trás, passando os braços pela minha cintura e repousando suavemente o queixo no meu ombro. Senti seu hálito quente em minha bochecha - as batidas aceleradas e irregulares do meu coração distoavam completamente dos batimentos ritmados do seu.

"Bobagem", sentenciou ela, em um murmúrio confiante. "Eles sentem sua falta. Eles amam você. Você não fez nada de errado. Eles não têm motivos para te odiar".

"Espero que eles aprendam a amar você tanto quanto eu amo", lhe confidenciei, e não pude deixar de sorrir ao ouvir seu riso baixo e envergonhado.

Deixei minha mão correr até seu queixo, puxando o rosto dela com delicadeza para mais perto do meu até que nossos lábios se tocassem em um beijo terno. As borboletas em meu estômago se agitaram - como aquilo podia ser considerado errado se me fazia sentir tão bem? Realmente importava se éramos duas garotas quando éramos tão felizes juntas?

Inspirei profundamente - seu perfume estava em todos os lugares. Hesitei. Senti sua mão em meu braço, empurrando-o levemente para frente. Suspirei, vencida. Enfiei a chave na fechadura e girei-a. A porta rangiu ao abrir-se.

"Mãe? Pai?", chamei, ouvindo o som de risos e cadeiras arrastando-se no chão como resposta. "Precisamos conversar..."


[Texto escrito para o Bloinquês]

7 comentários:

Juliana disse...

perfeito *-----------------*
e a imagem ta muito meiga *-*
e assim que eu li "passando os braços pela minha cintura", eu pensei "ate aqui essa criatura tem tara por cinturas Oo" -qqqqq
mas ta lindo xD
te amo, bjoo

Levada23 - Yasmine :) disse...

Haiin adorei o post.
Me indentifiquei muito.

As borboletas em meu estômago se agitaram - como aquilo podia ser considerado errado se me fazia sentir tão bem?
Já me fiz pergunta parecida. AHUSHUAHHU

tÔ seguindo amr ^^

Fernanda Zanol. disse...

Acho que se fazemos algo de coração, se estamos felizes, não é errado. E quem gosta realmente da gente pode até não entender no início, mas acaba aceitando. E bem lá no fundo, eles até entendem.

beeeijo :)

Rebeca Rocha disse...

Cada vez que venho aqui, um texto mais perfeito que o outro.

Abraços menina :*

Marcella Leal disse...

Olha, não vou mentir pra você, me choquei quando cheguei na metade do texto, mas, que texto lindo *-*
Descreveu tão bem o cenário que fiquei vendo-o na minha mente como um filme americano, amei de verdade.

Beijos

Alice disse...

Se esse texto for real é de mt coragem escrevê-lo pra todos, poucos tem essa coragem, admirei isso em você, não importa a nossa opção sexual, o que importa é o sentimento, tanto de amor, quanto de felicidade, felicidades.

claragon disse...

simplesmente perfeito.
nao tem como nao gostar.
juro. ta muito muito bom.
a unica coisa que invejo, é voce ter alguem pra te ajudar nesse caso. -_-'