quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Em 2012, amor... Muito amor.

Suas qualidades me encantam, mas foram seus defeitos que me conquistaram. Sim, é claro que eu amo o cheiro de roupa limpinha e sabonete que a gola da sua camisa tem... Mas foi quando você gaguejou pela primeira vez que meu coração acelerou. Sim, eu sou louca pelo seu sorriso de menina boba, de mulher madura, adoro como você tem um sorriso para cada ocasião e como tem um sorriso só meu, aquele que você só dá quando está comigo... Mas foi quando te vi chorar pela primeira vez que me apaixonei, quando te tive em meus braços despreparados, absolutamente entregue a uma garotinha tão desajeitada quanto você. Sim, eu sou apaixonada pelos seus olhos castanho-tempestade, castanho-amor-da-minha-vida, com aqueles reflexos dourados que sempre me desarmam quando bate um raio de sol oportuno... Mas foi quando nosso beijo encaixou perfeitamente daquele jeito tão nosso, tão desajeitado, que eu percebi que queria te beijar pelo resto da vida. Sim, eu amo ter seu calor ao lado da minha frieza na cama, no meio da noite, adoro o pesar da sua cabeça no meu ombro, adoro a sua respiração fazendo minha canção de ninar favorita... Mas foi quando você se se recusou a fechar os olhos porque queria me assistir dormindo que eu descobri que é você, resmungando sonolenta, que eu quero encontrar do outro lado do travesseiro todos os dias. Sim, eu amo a maneira como você sempre parece saber o que me dizer para me tornar ainda mais sua... Mas foi pelos seus silêncios envergonhados, quando você olha para o lado sorrindo e coça a nuca que eu me apaixonei. Menina, não tem nada igual a você nesse mundo, nada que eu queira mais - e isso não é só por suas qualidades, mas também por seus defeitos, por meus defeitos, pela maneira como a gente se ama do dedinho do pé ao último fio de cabelo às nossas falhas, vontades, desejos, erros, sonhos. Você não é a menina dos meus sonhos... É melhor - você é real, é a menina da minha vida. Nossa história tem vírgulas e erros de gramática, nossos dias tem nuvens e ventos frios, mas eu não trocaria o que nós temos por nenhum conto de fadas no mundo. Na virada do dia 31 de Dezembro de 2011 para o dia 1º de Janeiro de 2012, é em você que vou pensar - sinta-se abraçada, beijada e girada no ar... Sinta-se amada. Te vejo em breve, princesa.


"I have died everyday, waiting for you
Darling, don't be afraid, I have loved you
For a thousand years
I'll love you for a thousand more

And all along I believed I would find you
Time has brought your heart to me
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more..."

(A thousand years - Christina Perri)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Para uma garotinha machucada

Ei, criança... Para com isso. Levanta seus olhos, encontra os meus, rouba a minha força para você. Há quanto tempo está sentada aí, encolhida nesse chão empoeirado, se escondendo da luz do sol nesse quarto vazio? Quanto tempo mais pretende ficar? Vem, criança. Engatinha até mim, deixa eu te puxar para o meu colo e fazer uma trança nesses seus cabelos curtos enquanto você me conta qual o problema. A verdade é que nem você mesma sabe direito o que há de errado, não é? Eu sei. Eu entendo. Não chora, criança... Enxuga esses seus olhos cor-de-terra, cor-de-vida. Esconde seu choro em meu ombro, deixa eu te embalar até você mergulhar em sonhos, prometo velar seu sono. Ei, criança... O que são essas marcas em seus braços? Não, não, não puxe as mangas da camisa para baixo... Ah, criança... Veja o que está fazendo comigo, veja as lágrimas escorrendo de meu coração. Não, criança, não vou me esconder de você. Entende agora? Você também não precisa se esconder de mim. Sim, criança, eu sei que foi você que fez essas marcas... Eu sei que elas machucam. Não, não espero que você me conte onde esconde a sua arma para lutar contra você mesma... Mas deixa eu cuidar de você? Vem, criança, deixa eu dar um beijo leve em suas feridas - as que eu posso ver e as que estão escondidas bem no fundo de você - improvisar um curativo e te fazer uma caneca de chocolate quente. Vamos entender, de mãos dadas, que todo mundo merece ser feliz no Natal. Eu sei que você só precisa de alguém que te escute... Alguém que te entenda. Alguém que nunca use o que você confessar contra você. Eu vou tentar, criança, eu vou tentar...


"It's a slow fade when you give yourself away
It's a slow fade when black and white are turned to gray
And thoughts invade, choices are made, a price will be paid
When you give yourself away
People never crumble in a day
It's a slow fade"


(Slow Fade - Casting Crows)

domingo, 18 de dezembro de 2011

"Então é Natal..."


Esse ano não vou pedir nada de Natal. Não vou escrever cartas ao Papai Noel, não vou checar os nomes dos pacotes embaixo da árvore, não vou  fazer beicinho toda vez que mencionar algo que desejo para mim. Esse ano só vou agradecer. Porque esse ano teve seus baixos, seus pontos escuros, suas tempestades tropicais, sua quedas inesperadas do topo da nuvem mais alta... Mas valeu mais a pena que qualquer outro ano. Esse ano as minhas lágrimas regaram aquele solo seco e fizeram nascer a flor mais bonita: Amor. Amor puro, amor correspondido... E aprendi que isso não quer dizer amor "fácil", sem problemas, sem pedras no caminho - quer dizer "amor pelo qual vale a pena lutar, perdoar, chorar, tentar e recomeçar, quando preciso for". Esse ano as topadas não me fizeram parar e sim aprender a olhar por onde caminho, a pular as pedras mais baixas e contornar as impossivelmente altas - nada é impossível, aprendi,  não quando se quer. Esse ano meu jardim se coloriu com pessoas lindas, de todas as cores, formas, com sorrisos de todos os tipos, com imperfeições tão bonitas que descobri não poder me ver sem nenhuma delas. Esse ano eu quebrei o espelho e gritei, para quem quisesse ouvir, que sou o que sou e nem tudo o que me apontam são imperfeições - e não vou mudar a menos que eu queira. Esse ano cresci - cresci como pessoa, como mulher... Sei que estou um passo mais perto de ser a pessoa que quero ser. Talvez até dois ou três passos. Talvez um pulo - se eu tiver muita sorte, o pulo certo. Esse ano eu bati a testa em tantas paredes diferentes que não sei como não consegui uma concussão ou a perda de memória que tantas vezes desejei - mas, mais importante, eu aprendi onde estão as paredes. E aprendi que mesmo as pancadas mais fortes não te matam - te ensinam. Esse ano eu mudei - mudei tanto que cheguei ao ponto de olhar no espelho e não entende direito quem era a menina me olhando de volta. Estou aprendendo a amar essa menina, aos poucos, tanto quanto ela merece. Aprendendo a me mover no corpo dela, a rir o riso dela, a enxugar as lágrimas dela e fazer meu coração bater no mesmo ritmo que o dela. Estamos virando uma e é isso que me importa. Esse ano foi um ano lindo, não só pelos sorrisos, mas pelas tantas cicatrizes que agora tenho para exibir. Esse ano... Ah, esse ano foi luz! E eu só tenho é que agradecer pelas chances e fazer do próximo ano tão brilhante quanto esse foi.

Se tem algo que ainda me resta dizer, pedir, é só que eu tenha a oportunidade de incluir isso nos meus votos, menina: "Você é meu karma... E sabe como é, né? Karma é karma, é pro resto da vida". Que dessa vez a gente seja pro resto da vida.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

"As flores têm cheiro de morte...'

Tinham flores lilás no jardim... Em uma das minhas muitas horas de divagações e sonhos lúcidos, tenho certeza que comentei algo a respeito. Podia vê-las da varanda, onde sentava e saboreava a temperatura ideal de um verão já dando seu último adeus, e lembro de transformá-las em nuvem e verso. Hoje sentei na mesma varanda pela primeira vez em meses, com um cobertor para aquecer as pernas e um olhar atento para aquecer a alma. Folheei o caderno, em busca da folha em branco que me inspirasse, preparei a caneta, afiei as palavras. E foi olhando ao redor, em busca de algo que me lembrasse uma musa, que percebi o vazio do jardim - as flores lilás morreram, desapareceram sem deixar um vestígio sequer da sua cor. Sorri de canto, meio amarga, pensando comigo mesma que esse é o mal das flores - brincam de colorir durante primavera, verão e outono, mas não foram feitas para resistir ao inverno... Congelam depois da primeira nevasca, quebram ao menor toque do vento. Fechei o caderno, afastei o cobertor, entrei em casa de novo, querendo combinar o amargo da minha boca ao amargo de um gole de café. Olhei pela janela de novo, desejando, muda, que as flores houvessem migrado para um lugar melhor - boba, eu? Ora, mas não é assim que se tem que ser para sobreviver ao inverno? Verdade seja dita, estava pedindo era por mim mesma - porque, assim como as flores, morro no inverno para me reinventar na primavera. Acabei de ser derrubada pela nevasca e por toques descuidados... E só consigo pensar que queria ser folha de outono, que cai da árvore, mas é leve o suficiente para ser carregada para longe pelo vento para onde quer que seja quente, bonito, novo. Eu fico aqui, soterrada debaixo de sete palmos de neve, esperando o sol ter a fineza de me sorrir, me descongelar e deixar eu nascer de novo. Mais forte, mais bonita, mais poesia... Mais flor.


"Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro!
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Esse samba no escuro

Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar"

(Apesar de você - Chico Buarque)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

"Why is it over?"

O que torna os finais tão doídos não é o que vai, é o que fica. E de todos os finais com os quais nunca soube lidar - finais de livros, finais de filmes, finais de relações e o último gole do café - esse final foi o que deixou mais coisas para trás: O final da gente. Ficou um gosto meio amargo na boca e um ardor meio incômodo nos olhos. Ficou uma sobra de amor misturada com uma falta de você que eu simplesmente não consigo fazer descer pelo nó que ficou em minha garganta. Ficou aquela vontade de rastejar até o sofá e dormir até o mês que vem, embalada pelo som da televisão pra evitar que o silêncio me traga a sua voz. Ficou a vontade azeda de pegar o telefone, discar seu número e pedir pra você me ensinar a esquecer o amor no bolso da outra calça antes de sair de casa - porque, veja bem, esse excesso de carinho que ficou está me matando por dentro. Ficou um mar, um céu, um mundo de palavras que eu não disse (nem pretendo dizer) - palavras doces, palavras amargas e palavras que queimam por dentro. Ficou uma confusão de sonhos despedaçados e promessas esquecidas pelo chão, junto daquele colar que eu atirei na parede porque fazia doer meu peito ao tocar minha pele. Ficou um novelo de memórias na mesinha de centro, um silêncio assustador me ensurdecendo e um abismo intransponível entre a gente. Ficou uma verdadeira catástrofe dentro de mim - um desastre não-tão-natural com direito a furacão, terremoto e tempestade de raios. Ficou tudo meio frio, meio cinza, meio vazio, estranho e sem graça. Ficou aquela sensação de quem despenca do céu a 300km/h e, ainda assim, sobrevive - ficou o choque, a dúvida... Você foi e me deixou aqui, tentando entender como eu sobrevivi à queda e quanto tempo vai levar para me acostumar a viver sem tudo que não sobreviveu. Ficou decepção, mas, acima de tudo, ficou tristeza - uma tristeza funda e sufocante. Ficou tristeza porque acabou - é, menina, acabou. Acabou de verdade, acabou pra valer. Acabou no minuto em que você esqueceu o amor no bolso da outra calça. Acabou e ficou tanta, tanta coisa pra varrer, limpar, jogar fora... Tanta coisa que faz doer.

Esse final, menina, está doendo mais que todos os outros.


"And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Coud it be worse?"

(Fix You - Coldplay)

sábado, 5 de novembro de 2011

"Ai que saudade d'ocê..."

Eu sou difícil, você sabe. Sou ciumenta a ponto de me aborrecer com o vento que pode bagunçar seu cabelo e detestar a lua que pode velar seu sono. Sou insegura daquele jeito que me faz esconder o rosto no travesseiro e soluçar baixinho até pegar no sono, com a luz acesa e a porta aberta, querendo que você me apareça no meio da madrugada, prometa que vai ficar tudo bem com o nosso amor e me aconchegue no seu abraço quentinho. Sou cabeça-dura e me recuso a acreditar quando me dizem que você me ama, que não te interessa o resto, que posso descansar meus olhinhos assustados agora - não é falta de confiança em você, é só esse meu pessimismo, esse bichinho raivoso em meu peito que insiste em dizer que vai dar tudo errado porque eu te amo tanto. Isso pra não falar que sou tão infantil que entreguei meu coração pra você com fita de cetim pra enfeitar - e isso mesmo depois de passar aquelas tantas horas na frente do espelho, repetindo pra mim mesma que é de desafios que você gosta e que, se eu for toda-sua-só-sua-tão-sua, você não vai mais me querer. (Ah, continue me querendo, por favor...) Eu sou difícil. Sou romântica de um jeito que chega a enjoar, levanto a bandeira de "o amor é a maior coisa nessa vida" e visto a camisa dos sonhadores inveterados. E, Deus, como tenho medo de você enjoar de mim - porque, verdade seja dita, de vez em quando até eu enjoo, só não me largo porque ainda não descobri como. Sou difícil, sou covarde, fujo quando as coisas ficam sérias - e, ainda assim, por você eu fiquei. Fiquei porque te amo, porque com você eu quero as infantilidades do "felizes para sempre", os aborrecimentos das manhãs de segunda-feira, os cafunés das tardes de domingo e tudo que vier no meio disso. Eu sou só eu... Não sou nenhum príncipe encantado, ainda não descobri como engarrafar as estrelas pra te dar. Mas, se você me deixar, prometo lutar para realizar todos os seus sonhos - da casinha de madeira à casa do piano, passando pela casinha de cobertor e com flores lilás te esperando a cada curva do caminho. Eu sei que não sou muito... Mas está vendo esse anel aí no seu dedo da mão direita, menina? Prometo que um dia ele passa pra a mão esquerda.


"I'm already there
Take a look around
I'm the sunshine in your hair
I'm the shadow on the ground
I'm the whisper in the wind
And I'll be there 'till the end
Can you feel the love that we share?
Oh, I'm already there..."

(I'm already there - Westlife)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Talvez eu seja o último romântico dos litorais..."

Eu sou dessas, você sabe... Dessas poetas de boteco de que o mundo está cheio. Você sabe que sou dessas que escrevem versos em guardanapos e suspiram paixão entre goles. Na manhã seguinte te acordo com beijos doces na ponta do nariz, querendo só mais um pouquinho do seu gosto e do seu cheiro - sempre mais um pouquinho de você, pra sempre só mais um pouquinho. Você sabe que meus sentimentos são mais oscilantes e assustadores e intensos que montanha-russa - também sabe que você é a única constância dessa minha confusão, a âncora que eu procurei em tantos lábios antes de achar os fogos de artifício nos seus. Sou dessas de raiva passageira, você sabe que choro as mágoas mais doídas e desfio as palavras mais amargas só para, meia hora depois, me enroscar de novo em seu colo com os dedos afundados em seus cabelos. Você sabe que sou dessas que calam o ciúme com um sorriso mesmo quando o coração parece passarinho perdido, batendo nas costelas, subindo pra garganta e fazendo doer e doer o medo de perder você - no fundo é só isso mesmo: Medo de perder meu sonho mais bonito pra um amanhecer inesperado. Sou dessas, você sabe... Você sabe que me preocupo quando você não aparece e não dá explicação, sabe que te mando comer direitinho e não tomar café antes de dormir, sabe que sei de cor todos os seus compromissos e sonhos e planos e sorrisos e medos. Você sabe que nem ligo quando você diz que sou pior que sua mãe porque você sabe - e eu sei que você sabe - que eu só faço essas coisas porque te quero tanto bem. Você sabe que sou dessas que precisam de colo - mais, você sabe que preciso do seu colo, da sua manha, do seu carinho, da sua camisa limpinha e da sua mordida no meu lábio. Você sabe, você sabe, que sou dessas que querem abraçar o mundo e choram baixinho de madrugada porque tem braços pequenos demais - você sabe que só durmo bem quando sua respiração me embala, seus dedos brincam com as curvas das minhas costas e seu rosto pesa feito pena em meu ombro.

Sou dessas, você sabe... Dessas que murmuram baixinho, antes de dormir, como uma espécie de oração sempre interrompida por um bocejo: "Sei que todo 'pra sempre' termina, mas, meu Deus, deixa o universo terminar antes desse, tá?".


"Me dá um beijo então
Aperta a minha mão
Tolice é viver a vida
Assim, sem aventura

Deixa ser
Pelo coração
Se é loucura, então
Melhor não ter razão..."

(O Último Romântico - Lulu Santos)

domingo, 2 de outubro de 2011

A menina e o pássaro.

- Aonde vai, pássaro, que tem tanta pressa?
- Ora, menina, mas não é claro? É inverno e vou atrás do meu amor.
- E onde está esse seu amor?
- Longe. Onde os dias são quentes, o céu é azul e as flores riem suas mil cores para quem quiser ver.
- E como é sua amada, pássaro?
- Mas não é claro, menina? Ela é flor: Bela, delicada, cheia de cor e dor e amor. Ela cheira a primavera, se move como brisa e seu riso tem gosto de saudade.
- Por que não está com ela agora, pássaro?
- Porque nem sempre a gente pode ter tudo o que quer, menina. Veja bem, eu a queria, a queria mais que a qualquer outra coisa, mas um pedaço de mim voou para tão longe que o perdi de vista... E eu precisava desse pedaço, menina, precisava desse pedaço para ser. Assim, tive que vir... Tive que vir para recuperar de mim aquilo que se perdeu. E agora que me encontrei, menina, volto para ela, como prometi que faria... E volto limpo, novo, renascido.
- Por que volta para ela, pássaro?
- Ora, menina, volto porque a amo!
- Se a ama, por que partiu?
- Menina, menina, mas já não lhe expliquei? Olhe aqui: Preciso de mim para existir, mas preciso dela para viver. Entende a diferença, menina? Sem ela, sou pedaço vazio, casca oca, metade dolorida. Sem mim, sou um turbilhão de sentimentos sem morada, sou alma perdida, sou poesia e sentimento desperdiçados. Entende?
- Acho que entendo, pássaro, acho mesmo que sim...
- O que foi, menina?
- Nada, nada. Lembrei de alguém... Alguém que deixei longe, onde a brisa é mansa e o ar cheira a esperança.
- E você vai voltar para ela, menina, quando seu tempo chegar?
- Vou, pássaro. Vou porque a amo. Vou porque sem ela eu sou metade dolorida.
- Pássaro não, menina: Beija-flor. Vê? Sem minha flor, nem nome tenho. E qual o seu nome, menina?
- Muda a cada dia, Beija-flor. Hoje eu queria que fosse Chuva, para viajar pelos céus e escorrer pelo rosto dela até alcançar os lábios doces.
- Então, para mim você é Chuva. Chuva de fim de tarde, repleta de amor... Mas que poema você é, hein, menina?
- É culpa dela, Beija-flor... Mas vai, vai ver a sua amada que está na sua hora, deixa eu me perder nessas páginas empoeiradas e no passar arrastado dos ponteiros do relógio. Vai ser feliz, Beija-flor.
- Vou. Mas não se preocupa, menina-chuva... Mando um beijo pra sua flor enquanto ainda não é sua hora de batucar a janela dela. Vamos ser felizes que, de perto ou de longe, o essencial é amar.


"E, assim, no teu gosto eu fui chuva
Jeito bom de se deixar viver

Nada do que fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
E só sossega quando encontra tua boca

E, mesmo que eu te me perca,
Nunca mais serei aquela que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela"

(Quando fui chuva - Maria Gadú)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"You gotta swim, swim in the dark..."

Eu te admiro. É, você. Você que já não enxerga mais seu próprio potencial, você que está exausto e com frio, você que tem tanto, tanto medo do amanhã... Você que continua a lutar. Eu te admiro porque você é forte. Porque você tem coragem. Porque você mantém esse sorriso lindo no rosto e porque você ensina a quem quiser aprender que é mais fácil encarar a vida com alegria na alma e palavras doces nos lábios. Eu te admiro porque você tem música no olhar e poesia no coração. Eu te admiro porque você segue em frente - correndo ou caminhando, você segue em frente. Eu te admiro porque você não se deixa abater, porque você não se deixa derrubar e porque, mesmo quando você cai, encontra a coragem para levantar de novo e de novo e de novo. Eu te admiro porque você não tem medo de tentar, de errar, de aprender. Eu te admiro - te admiro nos detalhes, nas palavras, na história. Mas te admiro, acima de tudo, nos sorrisos coloridos e no coração quente. Se algum dia você não conseguir enxergar seu próprio potencial, se você estiver exausto e com frio, se você sentir medo do amanhã, lembre que eu te admiro e eu acredito em você.


"You gotta swim
Swim for your life
Swim for the music
That saves you
When you're not so sure you'll survive
You gotta swim
Swim when it hurts
The whole world is watching
You haven't come this far
To fall off the earth
The currents will pull you
Away from your love
Just keep your head above"

(Swim - Jack's Mannequin)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Carta para alguém distante...


Menina,

Hoje acordei com a garganta e os olhos secos de tanto murmurar seu nome entre lágrimas noite passada. Acordei tremendo de frio e procurando seu abraço no quarto vazio - meu coração também ficou meio vazio quando não o encontrei. Mas tudo bem... Tudo bem, meu amor. A gente já sabia que ia ser assim, não é mesmo? A gente já sabia que a ausência ia machucar e os ponteiros do relógio iam se demorar em cada segundo, querendo eternizar a saudade. Está tudo bem.

Ah, meu bem, hoje o sol demorou a querer se deitar... E eu, que estava me saindo tão bem nessa de me manter ocupada para evitar pensar em você em todos os minutos do meu dia, terminei ali - perdida em meu próprio mundo, sem saber que outra desculpa usar para te manter longe dos meus pensamentos. Quis esperar que a noite me servisse de cobertor antes de deixar meu choro escapar, mas quando menos esperava me peguei soluçando baixinho em plena luz do sol, querendo seu colo e o cheiro da gola da sua camisa. Mas está tudo bem... A gente já sabia que todas as músicas que tocassem no rádio do carro iam trazer lágrimas aos olhos e machucar o coração, certo? Está tudo bem.

Mas, ah, minha menina, meu amor, minha flor... Hoje eu quis você da manhã à noite e em cada esquina pelo meio do caminho. Hoje eu quis o som da sua voz mais que qualquer outra coisa... Seu riso doce, o castanho-dourado dos seus olhos, seu gosto na minha boca e aquela curvinha que seu queixo faz. Então vem cá... Apaga essa distância toda entre a gente, só por hoje, e corre pro meu abraço. Esquece as leis da física, ignora a ordem do universo, vem pra perto de mim. Eu te empresto uma das minhas camisas largas demais pra você, minha pequena, a gente estende um cobertor no meio da rua e se protege do frio nos braços uma da outra, a gente se cobre com sonhos e conta estrelas até a madrugada acabar. Estou te esperando aqui, na porta do quarto... Deixa de ser estrela e vem ser borboleta que eu cansei de te ver brilhar do outro lado do mundo, agora quero é você pousada em meu ombro. Pra sempre.

Com amor,
Sua garota.


"When the evening shadows
And the stars appear
And there's no one there
To dry your tears
I could hold you
For a million years
To make you feel my love..."

(Make you feel my love - Adele)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sobre o futuro.

Daqui a cinco meses, vamos estar juntas de novo. Vou te puxar para perto de mim pela cintura e beijar a sua testa, vou entrelaçar meus dedos aos seus e confessar que senti sua falta todos os dias, vou te puxar para o meu colo e prometer que nunca mais vou te deixar - mesmo que nunca tenha, de fato, te deixado, já que meu coração ficou naquele anel que repousa em sua mão esquerda.

Daqui a cinco anos, vamos gritar para quem quiser ouvir que somos uma só alma dividida entre dois corpos. Vou estar parada ao lado do altar, com um cravo cor-de-rosa na lapela, e você vai atravessar o corredor da igreja com a leveza de quem pisa em sonhos, carregando um buquê de flores lilás. Vamos sorrir uma para a outra com lágrimas nos olhos , vamos ficar de mãos dadas a cerimônia inteira, vou te fazer chorar com meus votos e te beijar de um jeito que te faça rir. E vamos nos lembrar desse dia pelo resto das nossas vidas como o dia mais lindo...

Daqui a cinco décadas, seremos aquele tipo de casal que as pessoas olham, sorriem e dizem "Quero um amor assim, sabe?". Vamos ter conhecido uma infinidade de países, mas ainda teremos uma lista interminável para visitar. Vamos comprar sorvete para nossos netos e passear pelo campo nos domingos de sol, vamos sentar ao redor do fogo com canecas de chocolate quente e várias histórias sobre nossa juventude, nossas aventuras e nosso amor quando estiver frio. Vamos celebrar mensalmente o dia em que tudo começou e ainda vou te surpreender com flores e chocolates - e você ainda vai me olhar feio e me lembrar o quanto sou insuportável. Vou ter tantos problemas com a memória que você - que nunca foi boa com datas - vai ter que me lembrar de todos os aniversários, mas nunca vou esquecer quem você é e o quanto eu te amo. E vou ler para você quando sua visão estiver debilitada demais para isso, mas você sempre enxergará o suficiente para me dizer que sou um lindo rapaz - seu lindo rapaz. Vamos rir juntas o tempo inteiro, vou escrever, você vai desenhar e sempre vamos olhar ao mesmo tempo quando um de nossos gêmeos gritar: "Mãe!". E vamos rir mais ainda.

E eu sempre vou ter orgulho de beijar sua bochecha, segurar sua mão e dizer: "Ela é a mulher da minha vida". Vou te amar até o último dia da minha vida - e nem distância, nem tempo, nem ciúme, nem insegurança, nada nunca vai mudar o que eu sinto por você. Você sempre vai ser a minha menina.


"And there's no mountain too high
No river too wide
Sing out this song and I'll be there, by your side
Storm clouds may gather
And stars may collide
But I love you until the end of time..."

(Come What May - Moulin Rouge)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

"Não vá embora, fique um pouco mais..."

Olha, menina... Olha pela janela: Não vê que está chovendo? Está tão frio lá fora... Tão cinza. Não vá embora, por favor. Fica um pouco mais. Só mais uns minutos. Sabia que tudo fica mais bonito com você por perto? É, tudo: O mundo, as pessoas e os meus pensamentos. Fica tudo mais colorido e com cheiro de você-e-eu. Fica tudo mais certo, mais bobo, mais poesia. Olha, olha os nós que os carros dão tentando passar... Os nós que as pessoas dão tentando passar e tentando fazer a dor passar. Os nós que o tempo ata e desata sem avisar. Não prefere os nossos nós, menina? Os nós dos nossos dedos, os nós dos nossos cabelos, os nós dos nossos beijos... Fica, menina. Fica que o tempo não vai conseguir desatar os nossos nós e nem o nosso "nós". Fica só mais um pouco... Só mais umas horas. Fica só até estar escuro demais lá fora pra você ir embora hoje - e aí fica pra passar essa noite, aproveita e fica pra passar a próxima também. Fica que eu te faço cafuné, brigadeiro e café. Fica que já é tarde demais pra você ir embora dessa minha vida, que ficou tão mais bonita depois que você chegou e me deu um nó, um "nós" e tanto amor pra cuidar.



"If I lay here,
If I just lay here
Would you lie with me and just forget the world?

Forget what we're told
Before we get too old,
Show me a garden that's bursting into life

All that I am, 
All that I ever was
Is here in your perfect eyes, they're all I can see

I don't know where, 
Confused about how as well,
Just know that these things will never change for us at all..."

(Chasing Cars - Snow Patrol)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

"Eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisava"

"Você aceita essa menina como seu legítimo amor, prometendo irritá-la sem deixar de ser seu ombro, nos domingos ensolarados e nas segundas-feiras chuvosas, de perto ou de longe, felizes-para-sempre-enquanto-durar?"

Ei, meu anjo... Antes que você responda, tem uma coisa que quero lhe confessar: Voltei a sonhar. Eu sei, eu sei... Isso é errado, certo? Mas não consigo evitar. É só fechar os olhos e pronto! Lá estão eles... Os sonhos. Os planos bobos. Se arrastam por debaixo das minhas pálpebras antes que eu possa detê-los e, quando dou por mim, já estou vendo lanternas japonesas flutuando em direção a um céu estrelado. E vejo dois pares de All Star jogados pelo chão do quarto, meio escondidos pela penumbra, meio enfiados debaixo da cama. E ouço o barulho da chuva colidindo contra a vidraça misturar-se a uma música baixinha - aquele tipo de música boba que toca no menu dos DVD's de comédia romântica. Se prestar muita atenção, quase posso ouvir o barulho de pratos, canecas e panelas e nossas risadas se juntando no ar. Quase posso sentir o cheiro de chocolate quente vindo da cozinha e disputando a minha atenção com o seu cheiro, presente em cada dobra das paredes e dos lençóis. E quase posso ver seus desenhos espalhados pela mesinha de cabeceira, onde eu os deixei na noite anterior, depois de afirmar pela centésima vez que são lindos e evitar uma briga inútil te atacando com cócegas até te fazer rolar pela cama e me beijar. Sorrio. Então abro os olhos e os sonhos estendem suas asas-coloridas-de-borboleta e voam pela janela aberta até se perderem no azul, cinza ou multicor do céu. Eu voltei a sonhar, minha menina... Primeiro você me fez voltar a acreditar. E agora estou até sonhando! Eu sei, eu sei... É terrível, não é? Certo, certo, prometo que vou parar de rir... Sei que não tem nada de engraçado nisso. É só que eu te amo tanto que até meu futuro te quer por perto. Tudo bem, tudo bem, não estou rindo! Ah, minha menina... Sou tão sua.

"Aceito"


"Happy to lay here
Just happy to be here
I'm happy to know you
Play me a song, your newest one
Please, leave your taste on my tongue
Paperweight on my back
Cover me like a blanket..."

(Paperweight - Joshua Radin feat. Schuyler Fisk)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Para a minha menina não esquecer.

Para ler ouvindo Los Hermanos:

É só disso que eu preciso: Meu mindinho enroscado no seu enquanto a gente conversa besteiras, ri de bobagens, confessa coisa séria e ri mesmo assim. Você entre os meus braços, a maneira como a gola da sua camisa fica com aquele cheiro exato que só você tem na esquina do pescoço com o ombro... Seu pescoço, que ri abertamente pra mim toda vez que te puxo pra mais perto, me provocando. Você me chamando de trapaceira porque interrompi sua raiva com um beijo, você tentando não sorrir quando te pirraço, você boba e desastrada, me contando que quase esqueceu o nosso aniversário de namoro. E eu confessando que já sabia, porque conheço esse seu jeito. E a maneira como afundo em seus braços, em seu cheiro, em sua respiração, na batida do seu coração - a maneira como deixo de me importar com  qualquer coisa que não seja a gente ali, a gente agora, a gente por quanto tempo for, mas sempre daquele jeito. É só disso que eu preciso: A gente daquele jeito. Perto demais, sua mão na minha cintura, minha mão na sua cintura, nossos olhos brincando de jogo do sério. Sua carícia suave em minhas costas, meus lábios colados em seu pescoço. O gosto de quero-mais que só seu beijo deixa em minha boca. Minha alma mergulhada de cabeça nisso e eu tentando disfarçar.

Já percebeu que de vez em quando ainda sorrio quando a gente se beija? É que a gente é tão perfeitamente desajeitada e minha alegria é tanta que às vezes não cabe em mim. E é só disso que eu preciso: Mais meio minuto de você dizendo o quanto me detesta só pra eu te puxar pra mais perto e te desafiar a repetir. E depois te interromper com um beijo, porque sei que você ama desafios e eu amo você.


"Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho, sem caber de imaginar
Até o fim raiar..."

(Morena - Los Hermanos)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

- E por que, quando te olho, você sempre ri?

- É que você tem esse jeito de me olhar, sabe? Não sei explicar direito... É só um olhar diferente de todos os outros, um olhar que faz o chão sacudir sob meus pés por um segundo e a minha garganta fechar completamente. E aí eu entro naquele estado de confusão em que eu sei exatamente o que quero dizer, mas não consigo colocar sequer duas palavras juntas e termino em silêncio, só te olhando, sentindo meu coração bater forte demais em meu peito e me perguntando se você consegue escutá-lo. É intenso, entende? Como se você pudesse enxergar a minha alma fácil assim - e como se gostasse do que vê mesmo quando nem eu tenho certeza  de que gosto. E isso me derruba e me reconstrói - melhor, mais feliz, mais inteira, mais coragem, mais certeza, mais boba. E eu tenho vontade de te puxar pra mais perto e te beijar algumas dezenas de centenas de vezes. E tenho vontade de parar o mundo e te levar comigo pra qualquer outro lugar, e tenho vontade de realizar todos os seus sonhos. E penso em um sem-fim de versos que sei que não vou conseguir juntar com uma melodia depois porque só encaixam com o ritmo da sua respiração. E tudo isso - essa maneira como você me deixa cor-de-rosa sem querer - me faz ter vontade de rir... Só por rir. Só porque eu te amo. E aí eu rio. Só porque adoro esse jeito que você tem de me olhar.


"As trinta e uma rosas do jardim são suas
E há somente um cravo, que é meu
E se você quisesse um arranjo ou um buquê,
Minha querida, o cravo era...


Seu sorriso é o que eu preciso
E quanto ao resto, eu juro, tanto faz..."


(Dois Sorrisos - Móveis Coloniais de Acajú)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Uma tarde de quarta


Seu olhar encontrou o meu por breves segundos e fez que ia me prender ali para sempre - e aquele sorriso meio torto que eu tanto amava formou-se em seus lábios só para mim. Mas então o momento passou e ela também passou, entrando na sala sem pudores, tirando os sapatos, sentando-se no sofá e puxando os pés para o assento. Eu amava aquela sua segurança, aquela certeza que aparentava em cada passo. Tão oposta a mim, tão perfeita para mim.

Acendeu um cigarro, fingindo não ver o meu olhar de reprovação, e tragou por longos instantes. Minha repulsa se desfez no momento em que ela, soltando a fumaça por entre os lábios rosados, fez sinal para que eu me aproximasse. Fiz como ela pediu, sentindo-me uma criancinha pega no meio de uma traquinagem. E, afinal, que outras palavras poderiam me definir? Aquelas semanas de silêncio não poderiam ser descritas como nada além de uma traquinagem, uma bobagem de criança que ainda acredita que fugir vai fazer os problemas desaparecerem. Desejei ter crescido como nunca antes havia desejado.

Ela enlaçou minha cintura com seus braços finos, puxou-me para que caísse sentada ao seu lado e seus olhos brilharam daquele jeito que costumavam brilhar o tempo inteiro. Ri de leve, mas logo o medo congelou minha expressão em um sorriso frio, incerto. Não sabia se podia sorrir. Tentei falar, mas as palavras se perderam no meio do caminho entre meu cérebro e meus lábios. Também não sabia se podia falar. Observei-a me observar. Decidi que ela, por haver batido em minha porta em plena tarde de quarta-feira, deveria falar. E ela falou.

- Não posso mais com isso. Essa sua ausência. Não sou dessas pessoas de palavras... Dessas pessoas tipo você, que conseguem dizer as coisas e pronto, resolvido. Mas estou aqui e estou tentando porque não posso mais com essa saudade que me dá de você, de mim e de nós. Nunca gostei dessa parte de você que foge de mim, se esconde de meus olhares e resiste a minhas carícias, mas é ainda pior quando tudo em você desiste de mim. É ainda pior ver você por inteiro se perdendo sem mim... Não sei mais me perder sem você e sempre foi perdida nas nossas confusões de mãos, gostos e cheiros que me senti mais feliz. O que estou tentando dizer é só que vim sem avisar porque se avisasse não teria coragem de vir... Você sabe bem como sou. Vim assim de supetão porque precisava vir para me desculpar. Desculpa ter esquecido que nem todo mundo é assim que nem eu: imediatista, impaciente, impulsivo. Desculpa ter esquecido que o que você esconde aí tem motivo pra estar escondido. Se você ainda me quiser por aqui, me avisa que eu volto... Volto correndo que essa falta de você me tira o sono, a fome e o riso. Volto e prometo te deixar decidir quando se mostrar... Prometo esperar sem pressa, esperar pra sempre se for preciso, mostrando de mim o tudo que sempre mostrei.

E ela se calou assim de repente, tão de repente quanto havia começado a falar, quanto havia aparecido ali, quanto sempre fazia as coisas. Ela era assim: De repente. Tinha me aparecido de repente, me amado de repente, sempre me beijava de repente e dizia as coisas de repente. E eu amava o modo como cada segundo ao lado dela era uma surpresa. Ela esperava uma resposta, eu sabia, mesmo que fingisse não esperar - mesmo que fitasse a televisão desligada com atenção e tragasse o cigarro com a sua clássica despreocupação.

Ergui a mão; ela me olhou. Puxei o cigarro dos seus lábios e o apaguei no cinzeiro que não havia criado coragem para tirar da mesinha de centro. Quis dizer tanto que terminei não dizendo nada e ela só me observou enquanto eu a observava. Afastei alguns fios de cabelo que caíam sobre seu olho, percorri suas feições com a ponta do indicador, sorri. Ela tomou meu queixo entre seus dedos, inclinou-se sobre todas as longas horas perdidas ao lado do telefone que não tocava e me beijou - daquele jeito que só ela sabia beijar.

Ela tinha gosto de café. Estava tudo em seu lugar.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

"When I kiss you, I still get butterflies..."

Eu pensei em escrever algo pra você... Duas coisas me impediram: Primeiro, essa ausência absoluta de palavras que me invade quando penso em você. Sobram-me sorrisos e suspiros, lembranças... Surgem tantos sentimentos que não sobra espaço para as palavras. E quando algo me ocorre, percebo que é apenas mais um clichê - você me deixa assim, sabe? Clichê e boba. Apaixonada. Segundo... Bom, tudo que tenho escrito tem um traço de você. Nem sempre diretamente, às vezes nem me dou conta da sua presença entre as vírgulas - dia desses mesmo estava lendo um conto que não deveria me lembrar em nada esse seu modo de desviar os olhos quando está sem jeito, mas aí percebi um gato passeando por cima de um muro qualquer... E ali estava você, sorrindo de canto desse jeito que só você consegue. E terminei decidindo que o melhor é simplesmente não escrever... Chega de palavras por hoje. Chega de tentar fazer sentido - o que mais gosto na gente é que as coisas não precisam ter nexo, não precisam de rótulos e razões... Só fazer o coração bater engraçado. E meu coração sempre bate engraçado quando estou com você.


"Eu busquei quem sou;
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo..."

(Cuida de mim - O Teatro Mágico)

domingo, 3 de julho de 2011

O arco-íris só vem depois que chove...

Só acaba quando a gente quer - o relógio é nosso e a meia-noite é só um detalhe. Desculpa ter sido tão boba... Obrigada por ter catado os pedacinhos do nosso conto de fadas quando eu pensei que não tivesse conserto. Obrigada por me fazer tão feliz e me desculpa por ser sempre tão insegura. É só que tenho medo de te perder - joguei fora os mapas e as dúvidas quando você me apareceu com suas certezas e parece até surreal pensar em largar a caneta e deixar a nossa história assim, pela metade. Obrigada por não desistir de mim - da gente. Obrigada por não ir embora antes do sol nascer. Eu te amo.


"Te prometo estar sempre por aqui
E cruzar montanhas
Na alegria, na tristeza
E nos sorriso das crianças..."

(Te prometo estar sempre por aqui - Dance of Days)

Desculpem não ter passado em nenhum blog ultimamente... Estou viajando, mas prometo corrigir isso assim que chegar em casa. :3

sábado, 2 de julho de 2011

- Que bom que você está bem...

- Mas eu não estou bem. Bateu a meia-noite e o meu conto de fadas acabou... E eu tinha esquecido que é assim que as coisas são - que toda carruagem vira abóbora e todo vestido de baile termina em trapos. Eu terminei em trapos. Nós terminamos em trapos - e ficou só um "eu" vazio e um "você" que não se importa. Sobrou também um punhado de palavras - as que a gente disse e enfeitaram meus sorrisos, as que você disse e me fizeram passar a noite em claro ontem, tentando descobrir como pude ser tão boba. Sobraram as mentiras - "eu te amo"... Sobraram as músicas, as tardes, os postais e as flores lilás. Sobrou aquele pouco de tempo que a gente ainda tinha pra brincar de ser feliz. Hoje o dia estava bonito... E estou orgulhosa de mim mesma por ter conseguido passar por ele com um sorriso no rosto, por não ter chorado ao entrar naquela loja e ao ouvir seu nome. Estou orgulhosa por ter conseguido esconder a tristeza até estar sozinha com ela e por ter aprendido algo com isso tudo: Amor? Se ele existe, que venha me provar. Não acredito mais nele e acho que isso nos deixa quites - ele nunca acreditou em mim também. Vai melhorar, eu sei... Essas lágrimas vão secar e se transformar em mais uma cicatriz... Mas hoje não. Hoje não está tudo bem. Hoje estou atirando pedras no maldito relógio que pôs um ponto no meu conto de fadas...


"Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então"

(1º de Julho - Legião Urbana)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sobre a saudade...

Saudade é quando você pensa: "Ela gostaria disso" antes de pensar: "Eu gosto disso". É quando você vai ao lugar mais encantador e só consegue desejar que ela estivesse ali com você. É quando você tem vontade de roubar flores de um jardim qualquer por serem as preferidas dela e ela não estar lá para vê-las. É quando você ri de uma bobagem e a primeira coisa que faz é procurar o olhar dela para saber se ela também achou engraçado. É quando você sorri de leve ao ver um casal parecido com vocês caminhando de mãos dadas pela rua. Saudade é mais que uma lágrima, uma palavra, uma questão de tempo... Saudade é quando você joga uma moeda no poço dos desejos e pede que cuidem dela enquanto você está longe demais para cuidar. Saudade é quando você olha para o céu e sorri porque sabe que ela, onde quer que esteja, está olhando para o mesmo céu - e pensando em você também, talvez?

Saudade é o que sinto toda vez que penso em você...


"And I wonder if I ever cross your mine
For me it happens all the time

It's a quarter after one
I'm all alone
And I need you now..."

(Need you now - Lady Antebellum)

sábado, 18 de junho de 2011

"Mistura exata de anjo com mulher..."

Tenho vontade de te enfiar no bolso da camisa e te levar comigo, sabia? Pra todo lugar, pra qualquer lugar, pra lugar nenhum... Só te levar comigo. Só te ter junto pra não sentir saudade. Porque eu sei que vou te carregar aqui dentro quando estiver longe demais para te puxar para mais perto pelas pontas dos dedos, mas o que vou fazer quando tiver vontade do seu cheiro, do seu beijo, do seu riso? Posso estender a mão e segurar a sua na outra ponta da mesa, mas como vou fazer quando quiser estender a mão e segurar a sua na outra ponta do mapa? E essas nossas horas de silêncio no sofá da sala, quando fico tentando gravar cada detalhe do seu rosto e você só sorri, olha pro lado, olha de volta, me pede pra parar de te olhar tanto? Você nunca entendeu que se gosto tanto de te olhar é porque você é linda em cada detalhe, e cada vez que te olho descubro um detalhe novo pra me impressionar. Mas e os detalhes que eu perder estando longe, o que eu faço com eles?

Hoje demorei pra te deixar ir... Não foi por senso de moral, por consciência pesada... Na verdade, não foi nem por cavalheirismo - foi por egoísmo mesmo. Foi só porque eu queria passar mais alguns momentos dançando ao som da sua melodia - a canção mais suave e adorável que já escutei. Foi só porque queria mais alguns segundos dessa nossa brincadeira de ser feliz - desse nosso errado tão certo, desse nosso universo paralelo tão mais real que o mundo lá fora. Foi só porque eu queria te enfiar no bolso da camisa e te levar comigo, mas não consegui encontrar as palavras certas pra te dizer isso, então, só te deixei ir...


"Lua minha, que ilumina as noites no litoral
Lua minha, te ter todinha num eclipse total
Lua minha, te ver crescente, nova e cheia de amor
Lua minha, serei minguante quando você se for..."

(Lua Minha - Estakazero)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"Deixa eu te levar..."

É só que tem um pouquinho de você em tudo ao meu redor... Ou talvez só tenha um muito de você dentro de mim. E eu não consigo fazer nada além de sorrir meio sem jeito quando te acho no meu livro preferido, em uma música qualquer no rádio, em cores, em poesias ou naqueles minutos de silêncio antes de dormir. É só que aquela melodia faz meu corpo querer o seu calor pra me embalar... E nem o tempo tem mais tanta importância assim.


"Quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer que não existe razão?"

(Eduardo e Mônica - Legião Urbana)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Das coisas que eu ainda não aprendi a dizer...

Você me faz sentir tanto em um só segundo que é sempre assim que eu termino - sem palavras. Eu não preciso de eternidade... Não preciso de promessas. Nem de palavras, na verdade. Só de você aqui e eu junto... Eu aqui e você perto. Uma melodia cantarolada, uma tarde de outono e o modo como meu sorriso é tão mais feliz quando está colado ao seu. Só da gente e daquele relógio parado da cozinha, que marca o agora enquanto a gente quiser, que pára o tempo enquanto a gente tiver vontade. Só das nossas respirações em harmonia e desse amor que é tão nosso...


"Não sei se o mundo é bom
Mas ele está melhor
Desde que você chegou
E explicou
O mundo pra mim..."

(Espatódea - Nando Reis)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

"you've got me feelin' like a child now..."

Magia. Essa é a palavra. Foi esse o gosto, foi essa a sensação e eu sei que teria sido esse o pensamento se eu conseguisse pensar em algo... Não conseguia. E, sinceramente, ainda não consigo. Não consigo encontrar um adjetivo, um verso, uma exclamação que descreva o que eu senti. Só sei que foi magia. Só sei que eu queria puxá-la para mais perto e pedir só mais um pouco, só mais cinco minutos - e depois mais cinco, e mais cinco depois... Só sei que tinha algo de certo naquilo. Sem perfeição... Sem certeza... Só um sussurro no fundo da minha cabeça e um arrepio. Só um sorriso que me acompanha até agora. Só a vontade de gritar minha completa falta de palavras e rir a toa.

Quando a gente é pequeno, acredita que magia é coisa que lê em livro e encontra nos sonhos - fadas, duendes e Terra do Nunca. Mas eu juro que tinha magia ali hoje... No gosto, no arrepio, no sentimento. Na vontade de pedir só mais um pouco...


"It start in my toes
Makes me crinkle my nose
Wherever it goes
I always know
That you make me smile
Please, stay for a while now
Just take your time
Wherever you go..."

(Bubbly - Colbie Caillat)

sábado, 4 de junho de 2011

Sobre dois trapézios e um salto.

"Maybe I'm in the black, maybe I'm on my knees
Maybe I'm in the gap between the two trapezes
But my heart is beating and my pulses start
Cathedrals in my heart"

(Every teardrop is a waterfall - Coldplay)



É exatamente isso, sabe? Eu me sinto exatamente assim: Como uma trapezista em seu primeiro salto sem a rede de proteção. É aquela sensação louca de obrigar meus dedos, dormentes por uma mistura indefinível de medo e ansiedade, a soltar seu último porto seguro. É me atirar na imensidão sabendo que não tem absolutamente nada para amortecer a queda caso eu não consiga agarrar o outro trapézio a tempo. É o coração batendo mais rápido do que eu pensei que ele pudesse e, ainda assim, minhas ideias estarem confusas e nubladas, como se nada pudesse oxigenar o meu cérebro o suficiente para ele voltar a trabalhar em ritmo normal. São minhas mãos tremendo quase que imperceptivelmente - o que mais treme é minha alma, mas isso ninguém consegue ver. É a minha tentativa patética de confiar cegamente que não vou cair... É a sensação incrível de estar voando e a maneira como não consigo me preparar para o fim, mesmo sabendo que vai durar apenas alguns segundos. Dizem que é loucura... Mas talvez eu tenha enlouquecido.

(Deixa pra lá, vai... Me deixa pensar. Não precisa entender não. Eu não faço sentido mesmo. É só que agora eu lembro de você toda vez que passo por uma flor lilás... E agora eu fico cantarolando aquela música em algum canto obscuro da minha cabeça... Mas não faz mal. Um dia vai fazer e eu sei que vai... Mas hoje? Hoje não faz mal. Hoje eu só quero mais cinco minutos de você.)

domingo, 29 de maio de 2011

Pra ler ouvindo Dance of Days...


Você me faz querer dizer: "Vem cá... Chega mais perto. Deixa eu pegar na sua mão, deita a cabeça no meu ombro, me conta histórias sobre algo bom". Você me faz querer prometer que vai dar tudo certo - e que, até lá, eu vou estar te fazendo cócegas e tropeçando nas palavras só pra arrancar um sorriso seu. Você me faz querer roubar aquela flor lilás do jardim do vizinho e compor um verso bobo pra preencher nossos silêncios. Você faz brotar em mim aquela sensação engraçada, cujo gosto eu já tinha até esquecido, de que  está tudo no lugar e o mundo está girando pra o lado certo. Você me faz querer ficar quando, durante muito tempo, o que eu mais quis foi fugir.

E eu já nem me importo mais com aquele meu medo bobo do amanhã... Já nem sinto mais a falta de um nome. Só sei que é bom quando você está por perto... É fácil quando você está por perto. É certo, de uma maneira muito errada, e tanto faz... Eu não ligo pra mais nada.


"Vem sem medo a meus braços, meu amor,
Que a tristeza não vai mais espreitar pelos cantos
E apertar assim o peito.
Fica assim, aqui perto,
Que o teu cheiro me faz seguro,
Teu calor me protege e teu corpo me cura o vazio.
Pra que brincar de ter razão?
É besteira não querer errar
E é tolice demais curtir a dor.
Deixa pra lá tudo isso
E vem dançar a dança das estações.
Ah, tenta não ligar pra essa gente
Chata e sem graça.
Ah, são tolos demais,
Esses mortos cegos e adultos.
Gosto de te ver rindo
E da riqueza das coisas simples,
Que guardo qual tesouros.
E a beleza está em não ter pressa
Que corremos demais, meu amor,
E é hora de parar, deitar na grama,
Falar só besteira e rir da vida.
Ah, deixa isso pra lá
Que esse mundo é todo errado.
Fica perto, então,
Que tanta solidão já feriu demais.
Vem dançar a dança das estações..."

(A Dança das Estações - Dance of Days)


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Muitas felicidades, muitos anos de vida... ♪

Ei, moça... É, você mesma! Você que cora, que ri, que chora, que vive e que ama... Você que é meio criança e tão madura... É, você... Você que é dona desse sorriso sem jeito... Você que é careta, romântica, sonhadora. Você que escreve as coisas mais bonitas. Você. Queria te parabenizar, moça... Mas não simplesmente por ter completado dezesseis verões. Queria te parabenizar por ser assim - tão aberta, tão corajosa, tão sentimento. Queria te parabenizar por não ter deixado o mundo te mudar - porque as pessoas são assim, sabe? Tentam mudar quem é diferente, quem tem graça, quem tem a alma capaz de sorrir e o coração capaz de se importar. Você não deixou o mundo te mudar, moça, e isso merece celebração... E você muda o mundo! Sim, muda! Muda devagar, uma letra de cada vez, um sorriso de cada vez... Mas muda.  E muda o mundo de todos que tem o prazer e a honra de te conhecer. Parabéns, moça, por ser assim... E não deixe ninguém te mudar! Continue sendo poeta, continue construindo sonhos como quem constrói castelos, continue amando. Continue sendo você, moça, que tem estado muito frio lá fora e são pessoas assim, que nem você, que fazem parecer que o tempo ainda pode melhorar.

Parabéns, Clara!
Sempre que precisar contar com alguém, conte comigo.
Lembre sempre que amizade não conhece distância, certo? Vou estar aqui sempre que você precisar de um ombro.
E te desejo toda a felicidade, todo o amor e todos os sonhos realizados que o mundo puder te dar... Porque você merece tudo isso e muito mais. (:

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Fechando um ciclo. Terminando um capítulo. Ponto. Fim.

Um limite pode ser qualquer coisa. Pode ser uma fronteira. Pode ser uma linha desenhada a giz  no chão. Pode ser um muro. Pode ser uma barreira imaginária. Um limite pode ser o quanto você consegue correr antes de desmaiar de exaustão. Pode ser o número de minutos que você consegue ficar debaixo d'água antes de ficar sem ar. Pode ser o tanto que você consegue aguentar antes de decidir que não vale a pena. O fato é: Limites sempre servem como um ponto que você não pode ultrapassar. Ou, melhor dizendo, um ponto que você não deve atravessar. Até ali, você está seguro... Um passo a mais e você estará por sua própria conta e risco. E confie em mim quando digo que você vai precisar de toda a sorte do mundo se realmente pretende exceder o seu próprio limite. Existe um limite para o quanto você consegue lutar, amar, sofrer. Existe um limite até para as melhores coisas da vida - tudo demais faz mal... Quando não ao corpo, enfraquece a alma, adoece o coração. O fato é que, quando você atinge esse limite - ou o ultrapassa - a única solução é mudar. É desistir. É deixar ser, deixar morrer, deixar nascer.

Eu passei do meu próprio limite. Passei demais do meu próprio limite.
Fiquei com sede de viver.
Fiquei com fome de amor.
Agora eu preciso é renascer.


"These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase

When you cried, I'd wipe away all of your tears
When you'd scream, I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have all of me..."

(My Immortal - Evanescence)

sábado, 7 de maio de 2011

Confissões de um sábado à noite

Hoje eu não quero novidade... Hoje eu quero seu abraço, seu cheiro, sua boca, seu cabelo, suas mãos, seu riso e a maneira como o meu coração bate errado quando você está perto demais. Hoje quero aquele arrepio engraçado que me dá na boca do estômago e no céu da boca - sim, no céu da boca! - toda vez que você me olha de esguelha. Hoje eu quero as surpresas, as bobagens, as cócegas, o silêncio confortável, deitar no chão, perder a hora e não saber o que dizer, mas dizer mesmo assim. Hoje eu quero decifrar você, ter você, amar você. Hoje eu quero você e só - você por inteiro, você com qualquer humor, você no meu colo, você no meu mundo. Hoje eu quero você comigo e eu com você - clichê e boba e rindo a toa, como só você me faz. Hoje não me interessa todo o resto... Só você.


"How can I think I'm standing strong
Yet feel the air beneath my feet?
How can happiness feel so wrong?
How can misery feel so sweet?

How can you let me watch you sleep
Then break my dreams the way you do?
How can I have got in so deep?
Why did I fall in love with you?

This is the closest thing to crazy I have ever been..."

(The closest thing to crazy - Katie Melua)

sábado, 30 de abril de 2011

"Meu coração tá ferido de amar errado. De amar demais"

Ele disse: "Se cuida".
Eu disse: "Vem que eu cuido de você".

Foi o meu coração que terminou partido.
Onde está a justiça nisso?

Talvez seja hora de eu crescer e aprender a não me importar tanto.


"Now we're headed for a heart, heart, heartbreak
And I don't ever, ever wanna hear you say
Don't say you love me, don't even
Don't say you love me, you're leaving

We're headed for a heart, heart, heartbreak
I'm gonna, gonna turn around and walk away
Don't say you love me, don't even
Don't say you love me, you're leaving"

(Heart Heart Heartbreak - Boys Like Girls)

sábado, 23 de abril de 2011

E se fosse verdade?

Ele sorriu para ela, estendendo-lhe uma flor que acabara de roubar de um jardim próximo. Ela sorriu de volta, aceitando a flor e abrindo espaço para que ele sentasse ao seu lado no pequeno batente. Ficaram em silêncio por um momento, observando o movimento contínuo das pessoas ao seu redor - nenhum dos dois parecia se importar muito.

"Você matou a florzinha", a garota observou, olhando para o garoto de esguelha e tentando fingir uma expressão brava. Falhou - o sorriso insistia em lhe tomar os lábios.

"E plantei um sorriso em seu rosto", ele argumentou, dando de ombros. "Acho que posso ser perdoado por isso".

Ela riu baixinho, sacudindo a cabeça como se pensasse que ele não tinha conserto. Ele sabia disso... Mas também sabia que ela gostava. Então, simplesmente não se importava de ser daquele jeito. Ele aproximou-se devagar e repousou a sua mão sobre a da garota, sem demonstrar qualquer sinal do nervosismo que realmente sentia. Ela não fez menção de se afastar. Ele sabia que se estava esperando pelo momento perfeito, era aquele.

"Sou um fracote", admitiu, tentando não se deixar distrair pelas muitas cores que o cabelo da garota parecia adquirir sob o sol. Ela ergueu o olhar para fazer contato visual - ele esforçou-se para não fugir. "E um romântico incurável. E absolutamente geek. E um garoto idiota. E completamente apaixonado por você", ele fez uma pausa, dando à garota a chance de absorver a última frase. "Mas, apesar de tudo isso, eu realmente adoraria que você aceitasse sair comigo no sábado".

Ela ficou em silêncio por um momento, apenas correndo o olhar pelo rosto do garoto, como se esperasse que ele fosse, a qualquer momento, rir e dizer que não passava de uma piada. Ele teria feito isso antes, simplesmente por ser mais fácil que esperar pela resposta... Mas havia mudado. Pelo menos o suficiente para lutar pelo que valia a pena lutar. E ela? Ela valia qualquer esforço. Por fim, um sorrisinho substitui a expressão de choque da garota e ela aproximou a flor do rosto para inspirar o seu perfume.

"Qual é o nome dela?", perguntou, indicando a pequena mancha de cor em suas mãos. Ele sorriu.

"Me dá um beijo que eu digo", respondeu. Eles riram. E, mesmo sabendo que aquele era de fato o nome da flor, ela inclinou-se em sua direção e tocou os lábios do garoto com os seus. E ele soube que era "sim".


"Oh, kiss me beneath the milky twilight
Lead me out on the moonlit floor
Lift your open hands
Strike up the band and make the fireflies dance
Silver moon's sparkling
So, kiss me"

(Kiss Me - New Found Glory)

Desculpem a  falta de posts. Minha vida andou uma confusão sem tamanho nesses últimos tempos. Eu mal conseguia respirar e escrever era quase uma impossibilidade. Mas, ei, eu voltei! Percebi que esse blog é uma parte de mim e que sinto falta disso aqui. (: Obrigada por me esperarem. ♥