quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Today was a fairy tale..."

A coxia estava escura e imersa no mais completo silêncio, quebrado apenas pelo som de nossas respirações e pelo suave ranger do palco sob nossos pés. Do lado de fora, por trás das grossas cortinas verdes, ainda podíamos ouvir o burburinho de conversa e as risadas excitadas do público. O chão parecia retumbar com seus passos e as cadeiras rangiam a cada leve movimento - ou talvez eu apenas estivesse nervoso. Meu coração parecia prestes a explodir.

Então, senti sua mão contra a minha - era quente, macia e tremia levemente. Buscava meus dedos com um certo tom de desespero, provavelmente sem sequer se dar conta de quem estava ali. Entrelacei meus dedos aos seus e puxei-a de leve para baixo, indicando que se sentasse - ainda teríamos alguns minutos daquele silêncio agitado antes que as cortinas se abrissem e a peça começasse. Ela obedeceu sem hesitar ou discutir.

Senti quando ela se inclinou para trás, suas costas fazendo meu ombro de encosto. Procurei uma posição mais confortável, ela fez menção de se afastar. Pousei a mão livre em sua cintura para impedi-la e ela estacou, em dúvida. Lentamente, voltou a deitar a cabeça em meu ombro, tomando um cuidado quase exagerado para não estragar o cabelo ou a maquiagem - não teríamos chance de refazê-los... Era quase nossa hora.

Seu olhar parou em meu rosto, percorrendo minhas feições atentamente, e eu a fitei de esguelha. Observei-a morder o lábio, pensativa, e um sorrisinho involuntário escapou pela minha boca. Ela franziu a testa, interrogativa. Não expliquei. Ela permaneceu ali, parada, esperando. Então, dei de ombros. Era muito difícil ver qualquer coisa além da sua silhueta e do brilho castanho de seus olhos na penumbra, mas eu podia apostar que sua expressão se transformara, devagar, em uma máscara de choque e compreensão a medida em que eu me inclinava em sua direção.

Seu hálito era quente e seus lábios, macios. O beijo foi cuidadoso, suave - ainda assim, fogos de artifício pareceram explodir em minha cabeça, barrando o caminho de qualquer pensamento. Senti quando ela se afastou e não demorei a abrir os olhos e encontrar o conhecido tom de castanho me fitando curiosamente. Dei de ombros, o sorrisinho voltando a abrir-se em meus lábios. O seu sorriso igualou-se ao meu à medida em que ela aproximava a boca do meu ouvido para sussurrar:

- É bom que você não tenha estragado a minha maquiagem.

Seu tom respondia o que meu beijo perguntara. "É, eu também gosto de você". E foi com um sorriso largo, os batimentos cardíacos acelerados e a sua mão contra a minha que adentrei o palco para tomar minha posição e esperar as cortinas se abrirem.


"How much pain has cracked your soul?
How much love would make you whole?
You're my guiding lightning strike

I can't find the words to say
They're overdue
I'd travel half the world to say:
I belong to you..."
(I belong to you - Muse)

4 comentários:

Juliana disse...

que lindo *-*
e por que será que uma foto com all stars não me surpreende? hsuashuash
bjoo

Rafa Cullen disse...

Own, que lindo! *-*
Baseado em fatos reais? (6'
:*

Desirée disse...

lindooooooo!

saudades daqui e de vc, saiu o novo livro de 'house of night', lembrei de vc ^^

bjos

Any disse...

adoro seus textos, e mais uma vez, adorei esse também.
você tem uma forma linda de narrar as coisas, e de relacioná-las a músicas.
visite-me se tiver tempo

http://saber-sonhar.blogspot.com