sábado, 1 de janeiro de 2011

dos meus contos semi-reais...

Noite. O céu era apenas uma mancha preta pontilhada por estrelas, a lua estava ausente, descansando sua beleza, e a natureza produzia os sons habituais. Mesmo assim, a garota sorria. Estava sentada na mesma pedra áspera junto à mesma piscina não muito grande, não muito funda, de água límpida e azulada. Seus ouvidos captavam cada pequena movimentação – a cantiga habitual dos grilos parecia subitamente uma melodia que lhe fazia querer dançar. E ela não sabia dizer como, mas de repente aqueles pés – aqueles pés sobre os quais ela jurava ter absoluto controle – pararam seu movimento discreto, arrancaram-na de seus devaneios e a fizeram rodopiar pela noite.

Ela se sentia pisando em nuvens, com os olhos fechados e os braços estendidos, transformando cada som ali em uma valsa que apenas ela podia escutar. O vento acariciou seu rosto – era como um beijo... Um beijo de lábios macios e conhecidos. Ela podia sentir entre os seus braços a cintura fina, a pele morna e, sob seus dedos, o formato exato dos cachos escuros. O murmúrio da água soou em seus ouvidos como uma declaração sussurrada. “Também sinto sua falta”, ela respondeu, também à meia voz, também à meia luz. O vento soprou novamente, dessa vez tocando seus lábios – ela beijou de volta e quase pôde sentir o gosto.

Uma última volta pelo salão de dança, com os cabelos rodopiando às suas costas – podia imaginar dezenas de faces sorridentes, brincando de pique-esconde umas atrás das outras na medida em que se deslocavam... Então, o vento beijou suas pálpebras e veio o conhecido perfume – doce, suave... O melhor. Seus olhos castanhos cor de terra se abriram e ela quase esperou encontrar aquele conhecido tom castanho chocolate... Mas o que viu foram apenas as estrelas, consideravelmente menos brilhantes que os olhos que ela desejava ver, sorrindo-lhe do alto. Sorriu-lhes de volta e, sem pressa, voltou ao lugar onde estivera sentada. Deitou as costas na pedra fria e tornou a fechar os olhos. Em alguns dias, ela esperava, aquilo tudo seria verdade... Mas como alguns dias poderiam se assemelhar tanto a uma eternidade inteira?


"It's a quarter after one,
I'm all alone and I need you now..."

(Need you now - Lady Antebellum)

3 comentários:

Rafa Sady disse...

O tempo é engraçado... Quando queremos que ele demore, ele sempre corre. Quando queremos que corra, parece que um dia dura uma vida inteira...
:*
P.s.: Eu te amo

Letícia Monteiro disse...

*-*
Que lindo. Me envolveu até o final. Tanto sentimento... É... o tempo e as suas gracinhas...
HAHA. Obrigado pela visita :D Volte sempre >.<

Beijos ;**

Juliana disse...

eu ja tinha lido isso Oo
enfim, ta liindo, continue escrevendo assim ^^
bjoo