sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Para uma garotinha machucada

Ei, criança... Para com isso. Levanta seus olhos, encontra os meus, rouba a minha força para você. Há quanto tempo está sentada aí, encolhida nesse chão empoeirado, se escondendo da luz do sol nesse quarto vazio? Quanto tempo mais pretende ficar? Vem, criança. Engatinha até mim, deixa eu te puxar para o meu colo e fazer uma trança nesses seus cabelos curtos enquanto você me conta qual o problema. A verdade é que nem você mesma sabe direito o que há de errado, não é? Eu sei. Eu entendo. Não chora, criança... Enxuga esses seus olhos cor-de-terra, cor-de-vida. Esconde seu choro em meu ombro, deixa eu te embalar até você mergulhar em sonhos, prometo velar seu sono. Ei, criança... O que são essas marcas em seus braços? Não, não, não puxe as mangas da camisa para baixo... Ah, criança... Veja o que está fazendo comigo, veja as lágrimas escorrendo de meu coração. Não, criança, não vou me esconder de você. Entende agora? Você também não precisa se esconder de mim. Sim, criança, eu sei que foi você que fez essas marcas... Eu sei que elas machucam. Não, não espero que você me conte onde esconde a sua arma para lutar contra você mesma... Mas deixa eu cuidar de você? Vem, criança, deixa eu dar um beijo leve em suas feridas - as que eu posso ver e as que estão escondidas bem no fundo de você - improvisar um curativo e te fazer uma caneca de chocolate quente. Vamos entender, de mãos dadas, que todo mundo merece ser feliz no Natal. Eu sei que você só precisa de alguém que te escute... Alguém que te entenda. Alguém que nunca use o que você confessar contra você. Eu vou tentar, criança, eu vou tentar...


"It's a slow fade when you give yourself away
It's a slow fade when black and white are turned to gray
And thoughts invade, choices are made, a price will be paid
When you give yourself away
People never crumble in a day
It's a slow fade"


(Slow Fade - Casting Crows)

domingo, 18 de dezembro de 2011

"Então é Natal..."


Esse ano não vou pedir nada de Natal. Não vou escrever cartas ao Papai Noel, não vou checar os nomes dos pacotes embaixo da árvore, não vou  fazer beicinho toda vez que mencionar algo que desejo para mim. Esse ano só vou agradecer. Porque esse ano teve seus baixos, seus pontos escuros, suas tempestades tropicais, sua quedas inesperadas do topo da nuvem mais alta... Mas valeu mais a pena que qualquer outro ano. Esse ano as minhas lágrimas regaram aquele solo seco e fizeram nascer a flor mais bonita: Amor. Amor puro, amor correspondido... E aprendi que isso não quer dizer amor "fácil", sem problemas, sem pedras no caminho - quer dizer "amor pelo qual vale a pena lutar, perdoar, chorar, tentar e recomeçar, quando preciso for". Esse ano as topadas não me fizeram parar e sim aprender a olhar por onde caminho, a pular as pedras mais baixas e contornar as impossivelmente altas - nada é impossível, aprendi,  não quando se quer. Esse ano meu jardim se coloriu com pessoas lindas, de todas as cores, formas, com sorrisos de todos os tipos, com imperfeições tão bonitas que descobri não poder me ver sem nenhuma delas. Esse ano eu quebrei o espelho e gritei, para quem quisesse ouvir, que sou o que sou e nem tudo o que me apontam são imperfeições - e não vou mudar a menos que eu queira. Esse ano cresci - cresci como pessoa, como mulher... Sei que estou um passo mais perto de ser a pessoa que quero ser. Talvez até dois ou três passos. Talvez um pulo - se eu tiver muita sorte, o pulo certo. Esse ano eu bati a testa em tantas paredes diferentes que não sei como não consegui uma concussão ou a perda de memória que tantas vezes desejei - mas, mais importante, eu aprendi onde estão as paredes. E aprendi que mesmo as pancadas mais fortes não te matam - te ensinam. Esse ano eu mudei - mudei tanto que cheguei ao ponto de olhar no espelho e não entende direito quem era a menina me olhando de volta. Estou aprendendo a amar essa menina, aos poucos, tanto quanto ela merece. Aprendendo a me mover no corpo dela, a rir o riso dela, a enxugar as lágrimas dela e fazer meu coração bater no mesmo ritmo que o dela. Estamos virando uma e é isso que me importa. Esse ano foi um ano lindo, não só pelos sorrisos, mas pelas tantas cicatrizes que agora tenho para exibir. Esse ano... Ah, esse ano foi luz! E eu só tenho é que agradecer pelas chances e fazer do próximo ano tão brilhante quanto esse foi.

Se tem algo que ainda me resta dizer, pedir, é só que eu tenha a oportunidade de incluir isso nos meus votos, menina: "Você é meu karma... E sabe como é, né? Karma é karma, é pro resto da vida". Que dessa vez a gente seja pro resto da vida.