sábado, 21 de janeiro de 2012

"Silence is a girl's loudest cry"

- Mas você também me ensinou muito.
- Ensinei? E o que você aprendeu comigo?
- Aprendi que a pessoa ao seu lado pode estar se destruindo tão silenciosamente que, se você não estiver prestando atenção, não vai perceber nada.

Pois que sirva de lição para todos: Prestem atenção. A verdade é que a vida é absolutamente justa: Não vê cor, classe econômica, orientação sexual ou feitos passados na hora de derramar suas graças ou distribuir suas tragédias. Trata todos como o que são - iguais. E é exatamente por a vida ser justa que ela é, em geral, tão absolutamente imprevisível. Você não prevê o que vai acontecer... Prevê o que deseja, o que teme, o que acha que merece. E faz questão de colar em cada espelho da sua casa que não tem com o que se preocupar porque você é um bom samaritano, é cidadão direito, vai a Igreja todos os domingos, nunca deixou de tomar conta dos seus sobrinhos - tragédias só acontecem com quem merece, não é verdade? A grama do vizinho pode até ser mais verde, mas também é na árvore dele que cai o raio, não é? Eu entendo: Se não nos acostumarmos a pensar que estamos seguros, iremos à loucura vivendo em um constante medo da tão chamada "vida injusta". Não é isso o que quero... O que quero é que todos aprendam a abrir os olhos e prestar atenção. Porque aquela garota calada que senta na carteira ao lado da sua todas as manhãs pode estar sendo molestada em cada. O seu melhor amigo que usa mangas longas todos os dias da semana pode passar horas sozinho no quarto todas as noites, se cortando e desejando que alguém o note. A sua filha com quem você tanto reclama por usar roupas largas demais pode estar tentando esconder os ossos visíveis demais, pode estar tentando te proteger da própria anorexia. O seu irmão que desaparece depois de todas as refeições pode estar trancado no banheiro, com dois dedos na garganta, querendo que você abra a porta e o impeça. A pessoa mais próxima de você pode estar se destruindo aos poucos e querendo que você preste o mínimo de atenção e a impeça de se perder completamente. Não acontece só com o vizinho, com o primo da amiga da sua tia, com aquele garoto nos Estados Unidos. Acontece todos os dias, em cada esquina, ao seu redor. E a única maneira de mudar algo é abrindo os olhos. É prestando atenção. Temos que sair da nossa zona de conforto, da nossa conformidade, da nossa cegueira seletiva e coletiva para tirar do escuro aquelas pessoas ao nosso lado que estão, em silêncio, gritando por socorro todos os dias.


"Is anybody listening?
Can you hear me when I call?
I'm shooting signals in the air
'Cause I need somebody's help
I can't make it on my own
So I'm giving up myself
Is anybody listening?"

(S.O.S. - Good Charlotte)

1 comentários:

Suzi C.L. disse...

Você fala sobre a vida ser justa. E, na verdade,eu acho que as pessoas são muito diferentes e podem interpretar a vida do jeito que elas quiserem (cada um sabe pelo que passa). Mas, ok, eu entendi o que quis dizer: para deixarmos de olhar para o nosso umbigo e notarmos o outro.

Suzi
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